O Itaú BBA avalia que as medidas antidumping sobre aço importado ainda não foram totalmente incorporadas ao preço das ações da Usiminas (USIM5), abrindo espaço para novas altas nos papéis da companhia. Desde a última atualização de recomendação do banco, as ações já acumulam valorização de 41%, mas o banco vê potencial adicional de valorização.
O que o BBA enxerga no papel
A tese do BBA é direta: o mercado ainda não precificou integralmente o impacto positivo das tarifas antidumping aplicadas ao aço importado no Brasil. A proteção tarifária reduz a competição de produtos asiáticos mais baratos, especialmente do aço chinês, o que beneficia diretamente as margens das siderúrgicas domésticas como a Usiminas.
Com menos pressão competitiva no mercado interno, a companhia ganha poder de precificação e consegue sustentar ou elevar os preços do aço plano — produto no qual a Usiminas é líder nacional.
Contexto do antidumping no setor siderúrgico
O governo brasileiro intensificou nos últimos meses as medidas de proteção à indústria do aço, investigando e aplicando sobretaxas sobre importações que chegavam ao país com preços artificialmente baixos. O movimento segue tendência global, com Estados Unidos e Europa também adotando barreiras similares contra o excesso de capacidade siderúrgica chinesa.
Para o mercado de commodities local, a proteção tarifária funciona como um piso de preços, reduzindo a volatilidade para baixo e melhorando a previsibilidade das receitas das usinas nacionais.
Usiminas em números
A Usiminas opera o maior complexo siderúrgico integrado da América Latina, em Ipatinga (MG). A companhia é altamente dependente do mercado interno, o que a torna uma das principais beneficiárias diretas das barreiras comerciais ao aço importado.
A valorização de 41% desde a última atualização do BBA já supera com folga a performance do Ibovespa no mesmo período, sinalizando que parte do mercado já antecipou a tese — mas o banco avalia que a precificação plena ainda está incompleta.
Riscos no radar
O principal risco para a tese de valorização é uma reversão ou flexibilização das medidas antidumping por pressão diplomática ou revisão regulatória. Também pesa a desaceleração da demanda interna por aço, especialmente do setor automotivo e de construção civil, que são os principais consumidores do aço plano da Usiminas.
Outro fator de atenção é a trajetória do minério de ferro, insumo central na produção siderúrgica e que impacta diretamente a estrutura de custos da companhia.





