Serviços recuam 0,1% e interrompem ciclo de alta após nove meses

O setor de serviços iniciou o fim de 2025 com um sinal amarelo aceso. Dados do IBGE mostram que o volume de serviços recuou 0,1% em novembro frente a outubro, resultado que frustrou as projeções de mercado, que esperavam alta de 0,2%, segundo levantamento da Reuters. A queda interrompe uma sequência de nove meses de expansão contínua, justamente no segmento que responde por cerca de dois terços do PIB brasileiro e sustenta a maior parte do emprego formal.

Freada leve em um setor ainda acima do pré-pandemia

Ainda assim, o setor permanece 20% acima do nível pré-pandemia e apenas 0,1% abaixo do recorde histórico registrado em outubro, o que revela uma desaceleração na margem, não uma reversão de tendência. Na comparação anual, o volume de serviços cresceu 2,5% em novembro frente ao mesmo mês de 2024, marcando o vigésimo resultado positivo consecutivo.

O acumulado do ano e o dos últimos doze meses avançaram 2,7%, indicando que a atividade ainda sustenta expansão, porém em ritmo menos intenso do que no primeiro semestre. O contraste entre a força do dado anual e a fraqueza do dado mensal sugere que o consumo começa a encontrar limites em um ambiente de juros elevados, crédito mais seletivo e orçamento das famílias pressionado.

Crescimento anual segue firme, mas em ritmo menor

A retração mensal foi puxada principalmente pelos transportes, com queda de 1,4%, e por informação e comunicação, que recuou 0,7%. Em sentido oposto, serviços profissionais e administrativos avançaram 1,3%, enquanto outros serviços cresceram 0,5%, sinalizando que nichos ligados a consultoria, gestão empresarial e serviços especializados seguem resilientes. Já os serviços prestados às famílias ficaram estáveis, refletindo cautela do consumidor em segmentos como alimentação fora do lar, hospedagem e entretenimento.

Mesmo com a oscilação mensal, a média móvel trimestral avançou 0,3%, com quatro dos cinco grandes grupos em expansão, o que reforça a leitura de acomodação gradual, não de freada abrupta. No retrato anual, informação e comunicação lideraram o crescimento, com alta de 3,4%, impulsionadas por tecnologia, softwares e serviços digitais. Transportes avançaram 2,5%, sustentados por logística e transporte aéreo de passageiros. Profissionais e administrativos cresceram 3,2%, refletindo maior demanda por serviços de engenharia, publicidade e consultoria empresarial.

Consumo entra em novo compasso

Para o CEO da Speedo Multisport, Roberto Jalonetsky, Ceo da Speedo Multisport, o dado sinaliza um novo compasso para o consumo. “O recuo de 0,1% no setor de serviços, após alta de 0,3% no mês anterior, indica que o consumo inicia o ano com ritmo mais contido. Ao mesmo tempo, o crescimento anual de 2,5%, acima dos 2,1% registrados anteriormente, confirma que o setor ainda sustenta expansão, mas em velocidade menor e com sinais de desaceleração na margem.

Embora não represente uma queda acentuada, o dado mensal sinaliza perda de tração em um setor que vinha sustentando o crescimento da atividade econômica. O movimento revela um consumidor mais cauteloso, pressionado por juros elevados, crédito restrito e menor margem para gastos discricionários.”

Na prática, o cenário desenha um primeiro trimestre mais exigente para empresas de varejo, turismo, serviços corporativos e operações ligadas ao consumo presencial. Em um ambiente de crédito caro e demanda seletiva, a disputa por recorrência se intensifica, e eficiência operacional, gestão de caixa e diferenciação de oferta passam a determinar quem preserva crescimento e quem perde espaço. O setor de serviços segue expandindo, mas agora em uma marcha menos acelerada, refletindo uma economia que troca o impulso da recuperação pela disciplina de um novo ciclo.