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Semana terá Copom e IPCA, saúde de Bolsonaro, retomada do Congresso e Ibovespa perto dos 100 mil

03 fevereiro 2019 - 19h07Por Angelo Pavini

A próxima semana para os mercados financeiros terá como destaque a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que começa na terça e termina na quarta-feira, e deve manter a taxa básica de juros em 6,5%, mas poderá já indicar espaço para novas reduções caso a reforma da Previdência avance no Congresso. O próprio Legislativo estará no centro das atenções, com a retomada dos trabalhos após a posse dos novos deputados e senadores e da escolha dos presidentes das Casas. Na bolsa, o Índice Bovespa segue perto dos 100 mil pontos e a temporada de balanços do quarto trimestre continua, com Itaú Unibanco, Lojas Renner e Klabin divulgando seus números.

Mensagem de Bolsonaro

A abertura dos trabalhos no Congresso acontece com a mensagem do presidente Jair Bolsonaro, que está internado em São Paulo se recuperando de uma complexa cirurgia para reconstrução do intestino, perfurado no atentado a faca que sofreu durante a campanha. “A mensagem do presidente deve ser bem monitorada pelos mercados e acreditamos que a mensagem reforçará a sinalização da prioridade na aprovação das reformas necessárias para o crescimento econômico do país”, diz Tatiana Pinheiro, economista-chefe da BNP Paribas Asset Management.

Presidente passa mal

A saúde do presidente também estará no foco do mercado, depois do susto com uma piora registrada no sábado, quando o presidente sentiu náuseas e foi proibido de continuar despachando no hospital até se recuperar melhor. Ele não apresentou febre ou maiores complicações, mas teve de usar uma sonda nasogástrica e ficar em jejum.

Dúvidas sobre Alcolumbre

A atribulada eleição do presidente do Senado, com a vitória do candidato do governo, Davi Alcolumbre (DEM-AP), será analisada pelo mercado, que vai pesar a inexperiência do jovem político no comando da Casa e o impacto da provável reação do candidato derrotado Renan Calheiros (MDB-AL), um hábil articulador que pode ajudar bastante a oposição. Mas, para Tatiana, do BNP, as primeiras impressões dos mercados serão que os  presidentes da Câmara e Senado estarão alinhados com a prioridade do executivo de aprovação das reformas necessárias para o crescimento econômico do país.

IPCA de janeiro deve acelerar

Também na semana que vem, na sexta-feira, sai a inflação oficial de janeiro, o IPCA, calculado pelo IBGE, e que pode confirmar o espaço para as novas quedas dos juros esperadas por economistas e gestores de recursos. A expectativa do Banco Fator é de aceleração da inflação de 0,15% em dezembro para 0,36% neste mês, puxando o acumulado em 12 meses de 3,75% para 3,82%. O Banco Votorantim trabalha com 0,35% no mês e 3,81% em 12 meses.

Mais pessimista, o BNP espera que o IPCA de janeiro registre inflação de 0,42% no mês e 3,9% no acumulado de 12 meses. Esta aceleração será devida aos efeitos sazonais e ajustes de preços administrados e está em linha com a meta de 4,25% para este ano.

IGP-DI sai da deflação

Um dia antes, na quinta-feira, a Fundação Getulio Vargas (FGV) anuncia o Índice Geral de Preços- Disponibilidade Interna (IGP-DI) de janeiro. A expectativa do Banco Votorantim é de alta de 0,24% no mês e 6,74% em 12 meses, para -0,45% em dezembro e 7,10% em 12 meses. Já o Fator espera inflação de 0,02% no mês e 6,50% em 12 meses.

Na terça-feira, a Fenabrave divulga as vendas de veículos de janeiro.

Reunião do Copom

A maioria dos analistas espera a manutenção da Selic em 6,5% nesta semana, apesar da expectativa de novas quedas ainda este ano. Tatiana, do BNP, diz que a taxa deve ficar onde está e o comunicado incluirá a redução dos riscos de frustração com o encaminhamento das reformas fiscais e o aumento do risco de piora do cenário externo para países emergentes, além de incluir a mensagem da ata publicada em dezembro, cautela, serenidade e perseverança como princípios na condução da política monetária. “Assim, a sinalização do Copom será a mesma de dezembro”, resume. Por isso, os mercados devem dar mais peso para o IPCA de janeiro, para os primeiros debates na Câmara dos Deputados e para os resultados das eleições dos presidentes  da Câmara e do Senado nesta semana.

Também trabalhando com Selic em 6,50%, diante do cenário de inflação bastante comportada, que deve ser confirmada pelo IPCA de janeiro em alta de 0,33%, o Bradesco acha provável que o Banco Central reavalie o balanço de riscos para inflação prospectiva, considerando-o equilibrado no seu comunicado.

No Itaú, o relatório Cockpit do Copom vê um cenário de estabilidade dos juros, condicionada à atividade econômica local ainda fraca, o cenário politico, de aprovação da reforma da Previdência, e o cenário externo, com a incerteza com a atividade na China e desaquecimento mundial.

Para o banco, com projeções de inflação ancoradas em torno das respectivas metas até 2021, em um contexto em que o nível de capacidade ociosa na economia permanece elevado, o Copom manterá a taxa Selic estável em 6,5% nesta semana. O comitê deve enfatizar que a condução da política monetária se manterá vigilante e que preservará sua flexibilidade para reagir a “desvios com relação ao seu cenário base”.

Esses desvios, segundo o Itaú, podem decorrer, principalmente, de frustrações com o ritmo da atividade econômica que pressionem a trajetória de inflação para abaixo das metas, bem como da não implementação de reformas e pressões globais que venham a atuar em sentido oposto.

Agenda fraca no exterior

A agenda nos EUA será vazia, já que grande parte das divulgações foi postergada em função da paralisação fiscal do governo federal pelo impasse em torno da votação do Orçamento Federal deste ano. O presidente Donald Trump não abre mão de recursos para construir o muro na fronteira com o México e a oposição democrata não aceita a despesa. Na Europa, destaque para as vendas no varejo da zona do euro e dados de produção industrial em alguns países. Na Ásia, o foco serão os índices de gerentes de compras (PMIs) na China, segundo o Banco Votorantim.

Os resultados finais dos índices PMI composto de janeiro e a possível divulgação dos dados de balança comercial e atividade dos EUA estarão no radar, diz o Bradesco. Os indicadores antecedentes deverão confirmar a desaceleração da economia global, ao passo que as informações acerca da economia americana, não divulgadas anteriormente por conta da paralisação do governo, poderão ser conhecidas ao longo da semana.

Bolsa perto dos 100 mil pontos e Vale

Na bolsa, o Índice Bovespa encerrou a semana com novo recorde, aos 97.861 pontos, com alta de 11,35% no ano. Cresce a expectativa de que o índice chegue aos 100 mil pontos, o que talvez já pudesse ter acontecido se a Vale, que tem o maior peso na carteira do índice, não tivesse sofrido o forte impacto com o acidente da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, e perdido 17,63% na semana. O papel continuará sob forte pressão diante da repercussão da tragédia que deixou até agora 121 mortos e 212 desaparecidos.

Para Álvaro Bandeira, estrategista-chefe da corretora ModalMais, o desempenho da bolsa é bastante positivo, considerando esses percalços internos da Vale e dos sinais de atividade econômica ainda fraca. No exterior, problemas com o Brexit, no Reino Unido, disputas comerciais EUA e China e desaceleração econômica global também seguraram o mercado.

A percepção de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) será mais suave, pelo menos durante o primeiro semestre de 2019, em elevar juros básicos e revender ao mercado os papéis que comprou dos bancos para aumentar a liquidez, permitem a leitura que os investidores terão que assumir parcela de risco em suas aplicações para garantir melhores retornos, e países emergentes terão mais tempo para adequar seus déficits fiscais e reestruturar suas economias.

“Assim, mantemos o otimismo para o mês de fevereiro, partindo do pressuposto que o Brexit terá algum acordo de saída e as negociações sino-americanas terão bom desfecho, apesar de alongar discussões até possivelmente março. Trump disse que acordo nenhum sairá até que encontre Xi Jinping”, diz Bandeira.

O governo de Bolsonaro poderá trabalhar melhor, agora que o Congresso saiu do recesso e os presidentes das duas casas já estarão escolhidos. As decisões que dependem do Congresso poderão tramitar, e as infraconstitucionais o governo poderá acelerar, acredita o estrategista.

Entrada de R$ 1,5 bi de estrangeiros no mês

“Os agentes do mercado torcem para que a Bovespa atravesse definitivamente o patamar de 100 mil pontos do índice, e isso pode acontecer no curtíssimo prazo desde que os investidores estrangeiros retornem com recursos e a credibilidade do governo em fazer reformas siga forte”, afirma Bandeira. Até quinta-feira, dia 30 de janeiro, houve ingresso líquido de capital estrangeiro de R$ 1,5 bilhão no mês.

“Nosso objetivo primeiro está em 105.000 pontos”, diz Bandeira

Balanços incluem Itaú, Klabin e Renner

E prossegue nesta semana a temporada de balanços do quarto trimestre. Na segunda-feira, depois do fechamento, o Itaú Unibanco divulga seu resultado e a expectativa é grande depois do ótimo desempenho do concorrente Bradesco. Antes da abertura, a Porto Seguro divulga seus dados.

Na terça-feira, saem os balanços da Sanepar e da Brasil Agro, ambos depois do fechamento. Na quarta serão conhecidos os números do Banco ABC Brasil antes da abertura. Quinta-feira é o dia da Klabin antes da abertura e, depois do fechamento do mercado, BR Propoperties, IRB Brasil e Lojas Renner.

 

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