terça, 17 de maio de 2022
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Rede D'Or (RDOR3) e SulAmérica (SULA11): o que esperar dos balanços 1T22 enquanto a fusão não vem?

Genial Investimentos destaca entusiasmo com a operação, mas têm recomendações divergentes para os papéis individualmente

10 maio 2022 - 11h10Por Redação SpaceMoney
Unidade hospitalarUnidade hospitalar - Crédito: Vidal Balielo Jr.

A principal notícia que pautou o setor de saúde nos últimos meses foi a fusão entre Rede D’Or (RDOR3) e SulAmérica (SULA11), anunciada no início do ano. Acreditava-se, até a operação, que, após a fusão entre Hapvida (HAPV3) e NotreDame Intermédica, as duas seriam o principal player no jogo de “rouba monte” que tem sido a consolidação no mercado de saúde, escreveu a Genial Investimentos.

Mas esse movimento pode estar próximo do fim e o crescente nível de endividamento das companhias do setor e a rápida escalada da taxa de juros podem ser fatores indicativos, pontuou o analista Luis Assis.

A exemplo da fusão entre Hapvida e NotreDame Intermédica, Assis destaca que o crescimento forte de receita, majoritariamente inorgânico, observado após as ofertas iniciais não deve ser sustentável no médio e longo prazos, representam a principal incerteza para o valuation das companhias.

Ele justifica a visão com os dados de beneficiários de assistência média disponibilizados pela ANS para os primeiros meses de 2022, que demonstram pequenas adições líquidas para Hapvida e NotreDame Intermédica.

As duas são operadoras verticalizadas, ou seja, comercializam planos de saúde e possuem as instalações hospitalares para atender seus beneficiários, focadas na parte inferior e no meio da pirâmide social.

Um ponto importante para a tese renovada são os conhecimentos em nichos específicos da cadeia, com a experiência em planos individuais de Hapvida e o business de operações hospitalares de  NotreDame Intermédica que possibilitam o destravamento maior de valor para as companhias.

No geral, a Genial Investimentos, entretanto, acredita que a presença nacional que a fusão transforrna a nova empresa em uma das favoritas para consolidar a parte de baixo da pirâmide.

Ainda de olho no setor, Assis ainda traz o caso da Amil

A United Health, controladora americana da operadora de saúde, quer se desfazer do ativo após anos de prejuízo recorrente. O maior problema para os controladores está relacionado a carteira de beneficiários em plano individual, que dificilmente vai ser rentável no futuro.

O analista pontua que o risco para as seguradoras que não escolheram o caminho da verticalização já quase se vê: a consolidação do setor em players justamente verticalizados.

Bradesco Saúde, uma das maiores concorrentes de SulAmérica, não possui hospitais dentro do grupo e volta e meia surge como possível compradora dos ativos hospitalares e clínicos de Amil. DASA (DASA3) e Mater Dei (MATD3) igualmente. A fusão entre Rede D’Or e SulAmérica causou inquietude no setor, diz Assis.

E agora? O que esperar para Rede D’Or?

Apesar da severidade mais branda da variante Ômicron, da Covid-19, a Genial Investimentos espera que ainda haja impacto da pandemia no resultado da Rede D’Or.

A piora da situação pandêmica no início do ano causou o afastamento de cirurgias eletivas, e, mesmo que a necessidade de medicamentos e o tratamento da Ômicron sejam mais suaves, o ticket médio deve ser menor.

Portanto, o analista Luis Assis projeta uma certa manutenção da taxa de ocupação, mais impactos sobre a receita no 1T22, dado um ticket médio ainda pressionado.

A integração de 4 novos ativos, (i) Hospital Santa Marina, (ii) Hospital Arthur Ramos, (iii) Hospital Santa Isabel e (iv) Hospital Novo Atibaia, são fatores que devem contribuir para o crescimento da receita.

Mesmo assim, esses ativos ainda não operam com as margens normalizadas da companhia, e pressionarão a rentabilidade no 1T22.

A tese para a prestadora de serviços hospitalares sempre envolveu um poder de barganha mais forte em termos do custo de serviços prestados, pelo tamanho e escala da companhia, explica Assis. Ele diz que ainda devemos observar uma pressão nessa linha para o 1T22, o que deve impactar o resultado como um todo.

Segundo a empresa, ao longo do ano, o foco de controle de custos deve ser retomado, o que deixa a Genial Investimentos otimista para o resto do ano, se levado em consideração a possibilidade de que a pandemia de Covid-19 se mantenha controlada.

Vale ressaltar o resultado financeiro de RDOR3 para o 1T22, com muitas empresas pressionadas peloo aumento das taxas de juros no Brasil e no exterior.

O nível de alavancagem dívida líquida/EBITDA crescente desponta como um dos pontos de atenção para a tese, mas, com parte de sua dívida pré-fixada e o caixa com rendimentos acima do CDI, a Genial Investimentos estima que o impacto negativo do resultado financeiro possa ser mitigado no 1T22.

No geral, a Genial prevê resultados pressionados para RDOR3 neste trimestre, com pressão remanescente da pandemia nos custos e nas margens dadas as novas integrações.

Ainda assim, o ano de 2022 pode trazer recuperação, com arrefecimento da pandemia e melhor controle de custos, além de manutenção nas receitas em patamares mais elevados que o pré-pandemia.

Nesse sentido, a Genial Investimentos mantém recomendação de compra para RDOR3, com preço-alvo de R$ 59,00 - o que implica em um potencial de valorização de 71,36% sobre os valores atuais (R$ 34,43, de acordo com o momento final do pregão anterior).

E a SulAmérica? Em meio a tudo isso, como deve ser o 1T22 da companhia?

Assis escreve que o resultado do 1T22 deve continuar a ser pressionado para a SulAmérica. A Genial Investimentos espera crescimento nos prêmios emitidos, que devem gerar crescimento de receita.

Com a normalização dos reajustes ao longo de 2022, o analista fala em crescimento de receita no ano para a companhia.

As agências reguladoras proibiram cirurgias eletivas quando a pandemia piorou, o que causou um represamento. Esse problema já tem sido resolvido desde o 2S21, mas a quantidade de eletivas tem sido um fator muito relevante para a sinistralidade da companhia, que veio alta nos últimos semestres.

Assim, o custo de sinistro no 1T22 deve apresentar começar a apresentar melhoras, com queda percentual T/T.

A companhia acredita que ao longo do ano o problema vai ser totalmente resolvido. Outro ponto importante: os reajustes nos planos vendidos só podem ser feitos em seu aniversário. Ou seja, ao longo do ano, conforme os contratos forem reajustados, a sinistralidade deve arrefecer.

Vale ressaltar também que o resultado financeiro da companhia deve ser beneficiado pela alta das taxas de juros.

Ainda, Assis diz que podemos esperar pressões em cima dos custos, relacionados à crescente inflação médica e o dissídio de seus funcionários.

Com esse cenário, a Genial Investimentos estima um lucro pressionado para a companhia, estável em relação a trimestres passados. Isso não exclui a visão positiva de fusão da companhia com a RDOR3, já que se dizem otimistas com a operação e seu desenrolar ao longo do ano.

A Genial Investimentos recomenda manter as ações de SULA11, com preço-alvo de R$ 28,50 - o que implica em um potencial de valorização de 13,73% sobre os valores atuais (R$ 25,06, de acordo com o momento final do pregão anterior).

Próximos passos da operação

A operação já foi aprovada pelos acionistas de ambas as companhias, mas ainda falta ser aprovada pelos órgãos reguladores (ANS, BACEN, SUSEP e Cade).

As empresas esperam que esta etapa seja resolvida até o final do ano, e pode iniciar o processo de fusão das operações a partir de 2023.

Por fim, a verticalização, segundo elas, ainda não foi dada como certa, sendo muito falado de independência das operações.

Na opinião da Genial Investimentos, certo grau de verticalização faz sentido, com melhor controle do custo de sinistro e sinergias ainda não nomeadas que podem ser capturadas no médio/longo prazo.

 

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