terça, 28 de maio de 2024
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Magazine Luiza (MGLU3) despenca 10% após Copom manter Selic a 13,75% a.a.

Companhia registrou prejuízo líquido de R$ 35,9 milhões no último trimestre de 2022

23 março 2023 - 12h06Por Lucas de Andrade

Às 11:47 desta quinta-feira (23), as ações de Magazine Luiza (MGLU3) despencavam 10,31%, ao preço de R$ 3,22 cada.

O movimento negativo sucede a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que promoveu a manutenção da taxa básica de juros Selic em 13,75% ao ano na véspera (22).

Normalmente, são as empresas de varejo que mais tomam crédito para manter um crescimento acelerado. Com os aumentos de taxas de juros, o crédito passa a ficar mais caro e as empresas, mais endividadas.

Último balanço

O Magazine Luiza (MGLU3) reverteu lucro líquido de R$ 93,0 milhões no quarto trimestre de 2021 e registrou prejuízo líquido de R$ 35,9 milhões no último trimestre de 2022.

Recomendações

Apesar dos números negativos, o BTG Pactual apontou em seu relatório que o conjunto de resultados aponta uma tendência de melhora em um ano difícil.

Analistas ressaltam que, embora o Magazine Luiza estivesse com negociações em seus níveis mais baixos num período superior a cinco anos, numa perspectiva EV e vendas e EV e GMV, ainda esperavam mais pressões no curto prazo devido a:

  • - (i) crescimento mais lento do GMV on-line dado sua exposição a categorias altamente cíclicas, como eletrônicos e eletrodomésticos, o que significa margens mais baixas;
  • - (ii) desempenho fraco da operação de lojas físicas, que continuariam a gerar desalavancagem operacional;
  • - (iii) impacto do aumento das taxas de juros no Brasil (o que levaria a maiores inadimplências nos próximos trimestres) nos resultados de sua Luizacred; e
  • - (iv) maior custo de captação para desconto de recebíveis, com impacto no resultado financeiro e no lucro.

Embora alguns desses desafios continuem a perdurar (especialmente na frente macroeconômica), e a investigação anunciada sobre possíveis irregularidades de práticas comerciais possa pesar sobre a ação, o BTG crê que a varejista deve se beneficiar da migração gradual do GMV da Americanas (AMER3), dada a sobreposição de categoria com o varejista em dificuldades, bem como uma abordagem mais racional do take rate e seu modelo de negócios multicanal para alavancar a operação de marketplace, duas variáveis-chave para o desempenho da ação nos próximos trimestres.

Nesse sentido, analistas reiteraram a recomendação de compra dos papéis, com preço-alvo de R$ 7,00.