quarta, 01 de dezembro de 2021
Ibovespa

Por que os bancos, a Vale e a Petro puxam o Ibovespa?

30 outubro 2019 - 18h09Por Laís Martins
O Ibovespa é o principal índice acionário da B3, a bolsa brasileira. Diariamente, os ativos das empresas que o compõe são negociados em milhares de operações que resultam em uma imensa movimentação de volume financeiro. Essas operações de compra e venda resultam na alta ou na baixa dos valores de mercado das companhias. E isso pode acabar puxando o índice para o uma valorização ou para uma queda.

Esse movimento pode ser observado, por exemplo, na sessão da última segunda-feira (28). Naquele dia, o Ibovespa alcançou sua máxima de fechamento na história, com 108.187,06 pontos. A valorização foi guiada principalmente por papéis de bancos.

É muito comum escutar as seguintes frases quando falamos da Bolsa: a Petrobras caiu e puxou o Ibovespa para baixo; a Vale subiu e a bolsa foi para o azul; com os bancos, o índice operou no vermelho. Mas, você deve se perguntar: por que algumas ações, como Petro e Vale, influenciam tanto assim a performance do Ibovespa? Como essas empresas participam do índice? Qual é o peso de participação delas? Continue lendo a matéria porque a SpaceMoney vai esclarecer essas e outras dúvidas para você!

Como funciona a distribuição de pesos para as ações do Ibovespa?

O Ibovespa é o índice resultado de uma carteira teórica de ativos de empresas listadas na B3. Para fazer parte do índice é preciso atender aos critérios descritos na metodologia da bolsa brasileira. O marcador é reavaliado a cada quatro meses. Assim, em setembro deste ano, a B3 divulgou a nova carteira do Ibovespa, que começou a vigorar em 2 de setembro de 2019 e se manterá até 3 de janeiro de 2020. A cada nova divulgação, empresas podem ser incluídas ou retiradas do índice. Dessa forma, a nova carteira registrou a entrada da Intermedica (GNDI3) e o do Banco BTG Pactual (BPAC11). Com as inclusões, agora são 68 ativos de 65 empresas. O sócio da Ipê Investimentos Sérgio Brito explica que, de acordo com a metodologia, o peso de cada empresa no índice depende de alguns requisitos. “Seu peso varia de acordo com volume financeiro, liquidez e valor de mercado. Resumindo, a participação quer dizer que a empresa possui muita influência no mercado.”

Quais são aquelas que influenciam mais?

Segundo a tabela de carteira de composição do Ibovespa em 29 de outubro de 2019, os cinco ativos que apresentavam o maior peso na composição do índice estavam concentrados entre bancos e empresas de minérios e petróleo. O Itaú Unibanco PN possuía participação de 9,49% na composição do índice. A seguir, vinha a Vale ON (VALE3), com 8,23%, Bradesco PN (7,70%) e pelo papel da própria bolsa, o B3 ON (5,28%). Se somadas, as duas ações da Petrobras (Petrobras ON e Petrobras PN) tinham 12,24% de participação.

Por que umas têm mais participação que outras?

Na visão de Brito, as empresas perdem e ganham porcentagem por fatores que vão desde a variação no valor do mercado até mudanças na metodologia. “Hoje são 68 empresas. Antes, esse número já foi de 62 empresas, 56... então quando a quantidade de empresas aumenta, a distribuição da porcentagem também é maior. Outro ponto é que se a metodologia muda, as empresas vão ter de se adaptar para manter os requisitos que levam à alta porcentagem de participação”, explicou. Além disso, o sócio compartilhou que, com os anos, as companhias crescem em volume, liquidez e, assim, aumentam seu peso em participação. “A JBS, por exemplo, antes não possuía tanta influência assim [tem 2,49% de participação]. As Lojas Renner, muito menos [2,12%]. Na direção oposta, Suzano começou muito forte anos atrás e hoje reduziu sua porcentagem”, pontuou.

Qual impacto esse peso de participação gera nas empresas?

Segundo Brito, a participação no Ibovespa influencia pouco ou quase nada no crescimento real da empresa. “A empresa ter maior peso de participação não influencia em sua geração de caixa. O que pode acontecer é ela chamar mais atenção de investidores”, comentou. O profissional explica, ainda, que os investidores estrangeiros são aqueles que mais podem começar a investir em uma empresa por conta de seu peso de participação. “Isso porque os investidores estrangeiros buscam por segurança. Os bancos, por exemplo, são grandes geradores de caixa, possuem lucros astronômicos. Transmitem segurança. Eles também sempre estiveram em carteiras de fundos de pensão e até mesmo fundos estrangeiros. Quando há muita saída de investidor estrangeiro da B3, as principais ações que se desvalorizam são os bancos. Isso porque a maioria do investidor estrangeiro busca um ativo/empresa que tenha constância a longo prazo, como a que os bancos oferecem”, concluiu. Por fim, ele completa que a composição do índice é importante porque ela serve de referência para as carteiras de fundos passivos, que reproduzem os índices, e para grandes gestores de recursos internacionais.
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