segunda, 06 de dezembro de 2021
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O que são LCs e CRs e porquê apostar nesses ativos ainda em 2021

Professor de economia aponta que ausência da cobrança de imposto de renda torna as aplicações atrativas, mas é necessário atenção à falta de cobertura pelo FGC nos CRs

22 novembro 2021 - 15h14Por Carlos Borges

A variedade de aplicações financeiras causam dúvidas entre os investidores. Independente da faixa etária, muitas pessoas desconhecem algumas opções que podem ser atraentes para as suas carteiras.

No final de outubro deste ano, a taxa Selic saltou de 6,75% a 7,75% ao ano. O aumento de um ponto percentual nos juros básicos fez com que os ativos de renda fixa voltassem a ser uma alternativa interessante para os investidores. 

Entre eles estão as debêntures, Tesouro Direto, Certificados de Depósito Bancário (CDBs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).

Um dos principais fatores que pode te ajudar a escolher quais aplicações farão parte da sua carteira é o conhecer o seu perfil do investidor. Basicamente, existem três: conservadores, moderados e arrojados. Não sabe ainda qual é o seu? Basta clicar neste link. 

Principalmente para investidores conservadores e moderados, as LCs e os CRs são ativos de renda fixa que chamam a atenção por sua rentabilidade e isenção de imposto de renda. 

Mas, no cenário atual, vale a pena apostar nessas modalidades ainda em 2021?

O que são LCs, CRs e suas diferenças

As LCs (Letras de Crédito) são títulos emitidos por instituições financeiras (como bancos). O dinheiro investido é repassado a um agente do setor do agronegócio ou do mercado imobiliário, o que divide essa classe de ativo em basicamente dois tipos: LCAs e LCIs, respectivamente. 

Assim como em um empréstimo, o dinheiro aportado retorna ao investidor por meio de juros, que podem ser prefixados ou pós-fixados, atrelados a algum indicador de mercado, como a Selic ou o IPCA (inflação oficial do Brasil).

Já os CRs (Certificados de Recebíveis) também são divididos entre esses dois setores, imobiliário e agro, divididos em  CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio). Porém, diferentemente das letras de crédito, os CRs são emitidos por empresas privadas e não por instituições financeiras.

Josimar Cordessoni, professor de economia da Universidade Mackenzie, explica como elas funcionam: “Quando alguma construtora vende apartamentos, existe um financiamento em cada contrato. Cada comprador é financiado, então existe um contrato de financiamento que vai dar lastro à empresa que vai emitir o CRI. Os CRI são certificados recebíveis do mercado imobiliário. Eles empacotam vários recebíveis e existe essa [CRI] que vai custodiar esses recebidos. Ela vai receber o pagamento dos financiados. Quem está comprando apartamentos ou outros imóveis vai repassar isso para os investidores No [mercado] agrícola é muito parecido, só que os empréstimos são voltados para os agricultores. Também há um empacotamento desses créditos e são emitidos os CRAs ligados a esses recebíveis”, afirma.

Segundo o professor, uma diferença importante entre as duas é que as LCs contam com proteção do Fundo de Garantidor de Crédito (FGC). “A diferença básica é a questão da garantia que as LCs [fornecem] investindo nelas, uma vez que você tem direito ao fundo garantidor de crédito. Já os CRI e CRA estão fora, porque quem emite são empresas, não bancos. Então, os CRs são mais arriscados que nas LCs porque existe um risco de crédito. Você pode, se houver uma uma alta taxa de inadimplência dos recebíveis, não receber o retorno que você espera”, explica Cordessoni.

O Fundo Garantidor de Crédito garante investimentos de renda fixa de até R$ 250 mil contra intervenção, liquidação extrajudicial ou insolvência das instituições financeiras.

Apesar de o risco ser maior, de acordo com Cordessoni "não há muita diferença do ponto de vista de desempenho, são muito semelhantes”, o que dá vantagem para as LCs.

Vale a pena investir ainda em 2021?

De acordo com o professor de economia, aplicar em títulos pós-fixados dessas modalidades pode ser atrativo ao investidor.

“Depende da taxa que você vai obter. Em relação à LC indexada à taxa de juros você tem como concorrente o Tesouro Selic, que dá 100% da taxa básica de juros. Isso é basicamente igual à LC, mas com [cobrança de] imposto de renda. Já o LCI, LCA, CRI e CRA não têm imposto de renda”, explica.

Porém, segundo Josimar, também há pontos contra. “A desvantagem é a liquidez [mais baixa que no Tesouro Direto]. E, no caso da CR, além da liquidez, é o fato de estar fora do Fundo Garantidor de Crédito”, conclui o professor de economia.

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