quarta, 08 de dezembro de 2021
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Guerra das maquinhas: Cielo revida com vantagens a lojistas e propõe Custo Efetivo Total para o setor; Itaú diz que topa e que disputa vai continuar

03 maio 2019 - 11h23Por Angelo Pavini
A guerra das maquinhas teve mais alguns lances hoje, a começar pelo anúncio da Cielo, uma das líderes do setor, de várias medidas para reduzir os custos dos comerciantes que usam seu equipamento para cartões. A medida veio um dia depois da concorrente Rede, do Itaú Unibanco, ter colocado em prática a antecipação do dinheiro das vendas em dois dias sem pagamento de juros. A medida afeta diretamente uma das principais fontes de receita da Cielo na atividade de adquirência, que é o serviço prestado pela empresa que fornece a maquinha ao lojista. Em geral, as empresas pagavam aos lojistas em até 30 dias depois da compra e quem queria receber antes tinha de pagar juros.

Aluguel menor e pagamento instantâneo

A Cielo anunciou que vai reduzir as taxas de aluguel do plano Cielo Livre e que passará a pagar as vendas aos lojistas instantaneamente na conta digital Cielo, ambas medidas válidas a partir de 27 de maio. Também vai liberar o sistema para que qualquer banco o pagamento instantâneo aos clientes.

Fim das “pegadinhas” com o CET

Além disso, a Cielo propôs ainda um aumento na transparência no setor de adquirência, para que os clientes possam comparar melhor o custo total do serviço, que é composto por compra ou aluguel do equipamento, taxas de desconto e adiamento no recebimento das vendas. Para isso, a empresa propôs a criação de um indicador que funcione como o Custo Efetivo Total (CET) usado nas operações de crédito. A empresa diz que já começou a discutir o assunto com os órgãos reguladores. “Acreditamos que a transparência acabará de vez com as pegadinhas, asteriscos, letras miúdas e condições impossíveis de serem cumpridas”, diz a empresa em anúncio nos jornais.

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Itaú deve apoiar criação de um CET

Em resposta à proposta da concorrente, o presidente do Itaú Unibanco, dono da Rede, Candido Bracher, afirmou que apoia a ideia de criar um índice para mostrar o Custo Efetivo Total da adquirência. “Vejo com bons olhos, toda medida que traz mais transparência ao consumidor deve ser apoiada e, se levada adiante, contará com nosso apoio”, afirmou, durante teleconferência sobre os resultados do banco no primeiro trimestre.

A luta continua

Bracher explicou que o banco reviu algumas de suas projeções (guidances) para este ano por conta da guerra das maquinhas e da queda de receitas com adquirência, o que afetará, por exemplo, as receitas de prestação de serviços. Mas ele diz que esse movimento é inevitável e vai continuar. “Não tenho ilusão de que a competição de adquirencia vá se arrefecer este ano, assim não vemos compensação para a redução de receitas, mas vamos continuar em nosso esforço para buscar retorno aos acionistas”, disse.

Rede vai continuar lucrativa

Bracher destacou também que a receita da Rede vai se reduzir, mas a empresa vai continuar sendo lucrativa com outras operações. “A própria operação com cliente que antecipa recursos sem pagamento de taxa também é rentável para o banco em si mesma, pois tem outras receitas do cliente que compensam esse custo financeiro”, diz.

Pagar em 30 dias é que era “estranho”

O presidente do Itaú rebateu críticas de que o banco estaria usando seu tamanho para tirar vantagem e oferecer condições fora da realidade para ganhar mercado com a rede. Segundo ele, a redução de custos nos serviços aos lojista é uma tendência mundial. “O Brasil é que tinha uma posição estranha, de pagar em 30 dias ao lojista, até justificada, pois nos tempos de inflação alta era difícil pagar”, explica. “Mas não achamos que a Rede vai ficar sozinha nesse movimento, que reflete também uma normalidade da economia brasileira, com inflação estável e juros mais baixos, isso não tem nada de extraordinário”, disse. “Apenas antecipamos uma tendência mundial”, acrescentou.

Todos podem oferecer pagamento imediato

Sobre o banco estar usando seu poder econômico, Bracher afirmou que qualquer empresa de adquirência, como a Rede, pode pagar os lojistas em dois dias mesmo recebendo do cliente em até 30 dias. “Todos os adquirentes podem fazer isso, descontando os recebíveis (ou seja, vendendo para outra instituição antecipadamente as faturas dos clientes) em 30 dias, e o mercado oferece desconto desses papéis, chamados de ‘recebíveis performados’ cujo risco de crédito é o banco que emitiu o cartão”, afirma. Segundo ele, descontar recebíveis de banco é muito fácil e as taxas são extremamente competitivas. “Não é exclusividade do Itaú, todos participantes tem condições de antecipar em dois dias o valor a receber em 30”, diz.

TED zero para transferir recursos

O segundo argumento, de que o banco favorece quem tem conta e dessa forma obriga o lojista a ser correntista, Bracher diz que a maquininha e a conta são produtos diferentes. “São produtos vendidos separadamente, mas se o cliente quiser fazer adquirência e ter conta em outro banco, reduzimos o custo da TED (transferência) para zero.”

Margens pequenas lá fora

Marcos Magalhães, diretor-presidente da Rede, também presente na entrevista, afirmou que, no exterior, as margens de ganhos no setor de adquirência são muito menores que no Brasil. “Fizemos isso aqui seguindo o exemplo de fora, reduzindo as margens”, disse.

Não há como compensar

Candido Bracher disse também que o banco não tem como compensar essa perda de receita em outras atividades. “Se houvesse grandes compensações, não teria sido necessário fazer alterações no guidance do banco”, lembrou. “Essa revisão mostra de forma transparente que a concorrência está nos levando a reduzir preços, é o resultado natural da concorrência”, defendeu. “Isso vale tanto para atuais quanto novos clientes, e é um dos aspectos mais saudáveis e mais positivos da concorrência, é o banco ser obrigado a sacrificar parte da margem para melhorar o atendimento ao cliente.” A guerra das maquinhas começou após a entrada de concorrentes mais agressivos, como a GetNet, do Santander, a SafraPay, do Safra, e as independentes PagSeguro, do UOL/Grupo Folha, e a Stone, da ApexCapital, estas duas últimas impulsionadas por grandes aberturas de capital no exterior. O anúncio da redução de taxas da Rede em 17 de maio provocou forte queda nos preços das ações das companhias Cielo, PagSeguro e Stone e levou outras empresas a também eliminar o juro sobre o adiantamento ao lojista. O post Guerra das maquinhas: Cielo revida com vantagens a lojistas e propõe Custo Efetivo Total para o setor; Itaú diz que topa e que disputa vai continuar apareceu primeiro em Arena do Pavini.
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