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ESG natura

ESG tem ganhado importância estratégica nos negócios; Natura se destaca

15 setembro 2020 - 16h56Por Investing.com

Por Ana Julia Mezzadri, da Investing.com - O conceito “Environmental, Social and Governance” (“ambiental, social e governança”, em tradução livre), mais conhecido por sua sigla ESG, tem ganhado cada vez mais importância entre as empresas. Além disso, tem tido cada vez mais peso como fator de decisão na alocação de recursos financeiros, aumentando a pressão para que as companhias adotem medidas de governança que respeite os preceitos do ESG.

Segundo a XP Investimentos em relatório publicado na última terça-feira (8), atualmente, mais de US$ 30 trilhões em ativos sob gestão são gerenciados por fundos com estratégias sustentáveis em todo o mundo.

Também no Brasil essa tendência vem crescendo. Com o aumento do peso desses fatores na opinião pública, as empresas estão tendo de adotar práticas melhores. Além disso, a regulação também força a adoção. Finalmente, “a ESG tem sido um sinal particularmente eficaz de ‘alfa’, ou seja, de geração de retorno acima do mercado, nos últimos anos”, diz o relatório da XP.

Essa tendência tem se espalhado por diversos setores. Em relatório sobre o setor de cosméticos, fragrâncias e produtos de higiene pessoal distribuído na última segunda-feira (14), a UBS afirma: “As empresas do setor do Brasil reiteraram seu comprometimento com produtos naturais, responsabilidade social e a proteção do bioma brasileiro. Isso é chave para seus objetivos locais e internacionais".

Natura

Uma das empresas brasileiras particularmente conhecidas por seu envolvimento com as questões de ESG é a Natura & Co (SA:NTCO3). Em seu relatório, a XP destaca a Natura como uma das 10 empresas com melhores ratings de ESG dentro de sua cobertura.

“O nosso modelo de negócio foi desenvolvido para a geração de impacto social e ambiental”, explicou João Paulo Ferreira, CEO da Natura & Co, em debate virtual promovido pela Exame e pela Money Report nesta terça-feira (15). De fato, duas das principais características da Natura corroboram essa visão: os cosméticos feitos com produtos naturais e a venda direta, que, nas palavras do CEO, “dá oportunidades de desenvolvimento econômico e inclusão social, fundamentalmente de mulheres”. 

Assim, Ferreira defende que é possível fazer negócios e gerar impactos positivos sociais e ambientais ao mesmo tempo: “Um de nossos lemas é transformar desafios socioambientais em oportunidades de negócio. Isso faz com que esses desafios sejam uma fonte de inovação, de diferenciação.”

Na opinião da XP, empresas que não se adaptarem a isso ficarão para trás. “O tema ESG é muito oportuno. Em meio a tantas dúvidas que temos sobre as consequências da pandemia, uma das unanimidades é que ela escancarou a desigualdade de acesso a bem estar, saúde… Eu acredito que, em poucos anos, as empresa que não forem neutras em carbono vão ser tratadas como são hoje as que usam trabalho infantil ou trabalho escravo”, completa Ferreira.

Vendas pós-pandemia

Segundo o relatório da UBS, a Natura está mostrando sinais sólidos de recuperação de vendas, sobretudo das marcas Natura e The Body Shop. Esse crescimento vem sendo apoiado, na visão do banco, pela digitalização e pelas redes sociais. As vendas nas lojas físicas, tanto próprias quanto franquias, devem melhorar com o retorno da mobilidade, diz o banco.

Seguindo essa tendência de digitalização, uma mudança implementada pela Natura no período foi o aumento da comissão das consultoras online, que antes era 40% menor do que o modelo tradicional. Tal diferença era explicada pelos custos logísticos da Natura de entregar os produtos diretamente aos consumidores. A empresa ainda não definiu qual será a estratégia adotada com o fim da crise da Covid-19.

Em termos de lucratividade, é possível que haja uma queda em relação ao segundo trimestre, na opinião da UBS, com o fim dos benefícios de folha de pagamento e de acordos de adiamento de aluguel e com o retorno de atividades de promoção.

Sinergias com Avon

A situação relativamente tranquila em vendas tem dado à companhia espaço para focar na caputra de sinergias com a Avon, adquidira no início deste ano, destaca o banco. As sinergias de custo, especialmente na cadeia de produção, já estão sendo capturadas, e devem ser seguidas pelas de custos gerais e administrativos no terceiro trimestre.

As duas principais áreas de foco da Natura&Co em relação à Avon LatAm são a cadeia de produção e a digitalização. Em relação à primeira, a Natura pretende usar seus bons relacionamentos com os fornecedores, que protegeu a empresa de qualquer gargalo de produção durante o período de pandemia, para melhorar o relacionamento com os fornecedores da Avon.

Já na frente digital, a Avon ainda está para trás em relação à Natura, especialmente fora do Brasil, o que explica parcialmente sua performance ruim no segundo trimestre. Nesse sentido, a companhia irá destinar R$ 400 milhões em investimentos em TI, sendo que a maior parte irá para a Avon. 

Ainda em termos de sinergias, o grupo está trabalhando na padronização dos sistemas da Avon em todos os países da América Latina para, assim, melhor integrá-la à estrutura corporativa da Natura&Co. A empresa pretende ainda expandir a marca Natura para outros países da América Latina e promover o cross-selling pelas consultoras.

Alta acumulada em 2020

Por volta das 16h38, as ações da Natura operavam com alta de 1,03% a R$ 53,81 na B3 (SA:B3SA3), em uma sessão marcado pela alternância entre ganhos e perdas do Ibovespa. No ano, os papéis da companhia acumulam alta de 39,15%.

Leia mais sobre empresas ESG:

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