Em 2026, o endividamento dos governos ao redor do mundo atinge níveis históricos, revelando disparidades significativas entre as maiores economias e os países com cargas relativas mais pesadas. Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) projetam que os Estados Unidos lideram em valor absoluto, com US$ 40,7 trilhões em dívida pública, enquanto o Japão se destaca pela relação dívida/PIB de 204,4%. Este cenário oferece um panorama crucial para investidores e analistas que buscam compreender os riscos fiscais globais e as oportunidades em diferentes mercados.

Os gigantes da dívida em valor absoluto

A lista dos 30 países com maior endividamento em termos nominais é dominada pelos Estados Unidos, cujo estoque de US$ 40,7 trilhões supera a soma das dívidas de China, Japão, Reino Unido e França. A China aparece em segundo lugar, com US$ 22,29 trilhões, seguida pelo Japão (US$ 8,95 trilhões), Reino Unido (US$ 4,42 trilhões) e França (US$ 4,26 trilhões). Esses números refletem décadas de déficits fiscais e políticas expansionistas.

No entanto, o valor absoluto não conta toda a história. Países como o Brasil (10º lugar, US$ 2,54 trilhões) e a Índia (8º lugar, US$ 3,46 trilhões) figuram entre os maiores devedores, mas com economias igualmente grandes. Já economias menores como a Grécia (US$ 421 bilhões) ou Portugal (não listado) têm dívidas totais bem inferiores, ainda que sua capacidade de pagamento seja mais limitada.

A perspectiva relativa: dívida como proporção do PIB

Quando se mede a dívida em relação ao Produto Interno Bruto, o ranking se transforma. O Japão, com 204,4% do PIB, é um outlier, sustentado por uma ampla base de investidores domésticos e pelo fato de sua dívida ser majoritariamente detida por residentes. Singapura (171,9%), Sudão (169,1%) e Bahrein (152,4%) completam o topo, mostrando que mercados emergentes e pequenas economias avançadas podem carregar cargas elevadas.

Os Estados Unidos, apesar de seu enorme estoque, têm uma relação dívida/PIB de 125,8%, inferior a países como Itália (138,4%) e Grécia (136,9%). A confiança dos mercados no dólar como reserva global permite que o governo americano financie sua dívida a custos relativamente baixos. Por outro lado, economias como Moçambique (106,1%) e Bolívia (102,7%) enfrentam prêmios de risco mais altos, refletindo menor credibilidade fiscal.

Europa endividada: contrastes regionais

Na Europa, a situação é heterogênea. Itália e Grécia lideram em termos relativos, com dívidas acima de 135% do PIB, mas seus estoques totais (US$ 3,79 trilhões e US$ 421 bilhões, respectivamente) são bem diferentes. França e Reino Unido têm dívidas de 118,4% e 103,6% do PIB, enquanto a Alemanha, maior economia da região, mantém uma relação de cerca de 70% (não listada no top 30), graças ao seu freio constitucional de dívida.

Essas diferenças mostram que a sustentabilidade da dívida depende de uma combinação de fatores: crescimento econômico, taxa de juros, credibilidade institucional e acesso a financiamento. Você pode acompanhar as inovações e as principais notícias sobre economia em tempo real aqui na SpaceMoney. Países como a Espanha (98,2% do PIB) e Portugal (não listado) ilustram como ajustes fiscais podem estabilizar a dívida ao longo do tempo.