DI jan/28 sobe 26 pontos-base para 13,685% com tensão geopolítica EUA-Irã pressionando mercados
DI jan/28 sobe 26 pontos-base para 13,685% com tensão geopolítica EUA-Irã pressionando mercados

As taxas dos contratos de DI (Depósitos Interfinanceiros) registraram altas firmes nesta quinta-feira, 23 de abril de 2026, pressionadas pela crescente incerteza geopolítica em torno do conflito entre Estados Unidos e Irã. No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 avançava para 13,685%, alta de 26 pontos-base em relação ao ajuste da sessão anterior, que havia encerrado em 13,426%.

Movimento expressivo nos juros futuros

Uma variação de 26 pontos-base em uma única sessão é considerada expressiva para o mercado de juros brasileiro. O movimento reflete a aversão ao risco que dominou os mercados globais ao longo do dia, com investidores reduzindo exposição a ativos de maior risco e migrando para proteção.

O DI para janeiro de 2028 é um dos contratos mais acompanhados pelo mercado, pois reflete as expectativas para a trajetória da Selic no médio prazo. A alta desse contrato indica que os agentes financeiros precificam um ambiente de juros mais elevados à frente, seja por pressão inflacionária, cambial ou por prêmio de risco geopolítico.

Guerra EUA-Irã como catalisador da aversão ao risco

O principal vetor da pressão nos DIs foi a escalada das tensões entre Washington e Teerã. O conflito elevou o grau de incerteza nos mercados internacionais, impactando diretamente o apetite por ativos emergentes, incluindo o Brasil.

Situações de conflito geopolítico envolvendo grandes potências tendem a provocar fuga para ativos considerados seguros, como o dólar americano e os títulos do Tesouro dos EUA. Para economias emergentes, esse movimento se traduz em desvalorização cambial e abertura de prêmios de risco nas curvas de juros — exatamente o que o mercado brasileiro demonstrou nesta sessão.

Impacto no câmbio e na curva de juros

A pressão nos DIs ocorre de forma articulada com o comportamento do câmbio. Uma eventual desvalorização do real frente ao dólar amplia as preocupações com a inflação doméstica, o que por sua vez alimenta a expectativa de uma postura mais conservadora por parte do Banco Central. Esse ciclo retroalimenta a alta das taxas futuras.

Contexto do mercado de juros no Brasil

O mercado de investimentos em renda fixa no Brasil já vinha operando em nível de atenção elevado em 2026, dado o ambiente de juros estruturalmente altos. A Selic permanece em patamar restritivo, e qualquer choque externo tem potencial de prolongar o ciclo de aperto monetário ou adiar o início de eventual afrouxamento.

A confluência entre incerteza geopolítica global e fundamentos domésticos ainda pressionados coloca os DIs em posição de alta volatilidade nas próximas sessões, à medida que o mercado aguarda novos desdobramentos do conflito EUA-Irã.