domingo, 28 de novembro de 2021
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Com a alta da Selic, vale a pena fazer consórcio em 2021?

Setor foi um dos poucos que não foi afetado pela crise econômica causada pela pandemia e apresentou crescimento recorde

28 outubro 2021 - 15h55Por Gabriel Coccetrone

Quando chega a hora de adquirir um bem ou serviço de alto valor, é normal sentir um frio na barriga acompanhado de uma sensação de insegurança em relação ao seu orçamento, afinal, um compromisso está sendo assumido. Diante da alta das taxas de juros dos bancos para empréstimos e financiamentos, o consórcio se tornou uma saída para muitas pessoas.

Mesmo diante da crise econômica causada pela pandemia de COVID-19, o setor de consórcios foi um dos poucos que não foi afetado, pelo contrário, teve grande adesão. Nos últimos dois anos, os consórcios tiveram bastante procura. Em 2020, houve recorde de vendas, ultrapassando a marca de 3 milhões de novas cotas negociadas. Em 2021, essa alta é ainda mais acentuada. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Administradores de Consórcios (Abac), até o mês de julho, o crescimento sobre o mesmo período do ano anterior foi de 31,1% em quantidade de cotas vendidas e de 65,1% em volume de créditos comercializados.

Mas o que explica esse crescimento expressivo? Segundo Fernando Lamounier, diretor da Multimarcas Consórcios, há vários fatores, entre eles, a consciência por parte das pessoas de que o momento atual requer planejamento.

“Muitas pessoas viram os preços subirem e entenderam que não é a hora de comprar produtos, mas sim de planejar a compra futura. Alguns tiveram o privilégio de fazer home-office e conseguiram poupar algum dinheiro que seria gasto com viagens, lazer e restaurantes e, por isso, puderam investir num consórcio. Adicionalmente, o mercado se mostra cada vez mais profissional e resiliente, passando mais confiança e atraindo novos clientes”, analisa.

O profissional autônomo Paulo Marchetti, de 37 anos, é uma das pessoas que aderiu ao consórcio no começo deste ano. Seu objetivo era conseguir trocar de carro, um Fiat Punto 2013, por um novo. Ele conta que optou pelo setor por oferecer condições melhores que financiamentos convencionais.

“Antes de tomar a decisão, a primeira coisa que fiz foi comparar de forma geral como seria feito o pagamento do valor em cada um dos tipos de financiamentos. Como estou sem trabalho fixo, é difícil pagar parcelas antes, ainda mais se tiver o acréscimo de juros. Pelo consórcio, além de ter mais tempo para o pagamento das mensalidades, consegui dar o meu carro antigo no lance para a retirada da carta de crédito”, detalha.

O que é e como funciona o consórcio?

O consórcio é formado por um grupo de pessoas – físicas ou jurídicas – que têm a mesma meta: adquirir um determinado tipo de bem. Todos se juntam nesse objetivo comum por meio de uma administradora autorizada pelo Banco Central e dividem o valor do bem em parcelas mensais, contemplando todo mês um ou mais participantes por sorteio, de acordo com as regras do consórcio. Ao final do prazo do contrato, todos os cotistas terão acesso à carta de crédito com o valor do bem corrigido. Como a SpaceMoney explicou, não é considerado um investimento.

Quem não quer depender da sorte nem esperar o final do consórcio (que pode demorar anos), pode antecipar a contemplação por meio de “lances”. Todo mês, à época do sorteio, é possível se propor a pagar uma porcentagem do saldo devedor. Se o seu lance for melhor do que o oferecido por outros participantes, a carta de crédito é liberada e você segue pagando as parcelas já usufruindo do crédito.

É possível planejar diversos tipos de aquisição, pois existem consórcios para bens móveis (carros, motos e caminhões), imóveis (casas, apartamentos e prédios comerciais) e até serviços (viagens e tratamentos estéticos).

Vantagens de se fazer um consórcio

Para quem busca adquirir novos bens de forma planejada e de um jeito mais econômico, o consórcio é considerado uma boa alternativa, uma vez que reúne praticidade, segurança e taxas menores.

“As vantagens são inúmeras e passam desde um valor menor para adquirir (comparado a financiamento e empréstimos); poder de compra à vista com a carta de crédito em mãos; flexibilidade para a escolha do produto (novo ou usado); planejamento financeiro para a aquisição dos seus sonhos, diminuindo o risco de endividamento. O consórcio não tem juros, ele trabalha com a taxa de administração. E, o valor, independentemente da administradora, é muito menor do que qualquer financiamento. O processo tende a ser bem menos burocrático, mas obviamente exige compromisso com os boletos mensais”, explica Fernando Lamounier.

Consórcio x financiamento

Cada uma das modalidades tem suas especificidades, caberá a você avaliar qual atenderá suas necessidades. No financiamento, o banco liquida o valor total do bem e você paga as parcelas à instituição financeira. Essas parcelas têm juros, e podem aumentar o valor total.

Já no consórcio, um grupo de pessoas paga o mesmo valor mensal à administradora. Todo mês, um consorciado é sorteado e leva a carta de crédito no valor total do bem desejado.

“O consórcio é um produto genuinamente brasileiro que já demonstrou sua resiliência ao longo das últimas décadas, passando por diferentes governos, democracias e ditaduras, crises e planos econômicos e, mais recentemente, uma pandemia. Dizemos que é um bom produto nos períodos de bonança e um ótimo nos períodos de crise. Com a alta natural da taxa Selic (7,75% ao ano), e com a tendência de continuidade desse aumento nas próximas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária), os valores do financiamento estarão cada vez mais caros. Enquanto isso, o consórcio não tem juros e, assim, não é impactado por esse movimento econômico”, afirma Lamounier.

Por fim, o diretor afirma que o crescimento no segmento é uma tendência e não uma situação ocasional. “São milhões de pessoas que acreditam nesse meio e que sabem que um melhor planejamento faz bem a ele mesmo e a economia do país”, finaliza.

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