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Favelado Investidor

Com 30 reais, o Favelado Investidor mudou a educação financeira na quebrada

28 abril 2020 - 17h48Por Carolina Unzelte

Em 2015, trabalhando como jovem aprendiz num cartório do centro de São Paulo, Murilo Duarte ganhava R$ 680. Do valor, R$ 640 iam para pagar a mensalidade da faculdade na Universidade São Judas Tadeu. "Meu primeiro livro sobre investimentos comprei com o que sobrava", conta o jovem de 25 anos. "Era sobre Tesouro Direto, e deve ter custado uns 30 reais". E isso foi apenas o começo. Hoje, Murilo é "educador financeiro para todas as favelas do Brasil", como diz sua bio no Twitter. Com seu canal Favelado Investidor, atinge mais de 60 mil seguidores. Morador do Jardim João XXIII, na zona oeste da capital paulista, o menino que sempre gostou de matemática agora é contador formado e também youtuber, com os amigos Vinícius Silva e Jhonatan Silva. https://www.youtube.com/watch?v=Q6S7aeY-BAg "A ideia surgiu com eles, quando fizemos um trabalho para a faculdade", lembra Murilo. A tarefa do grupo era fazer uma apresentação para classe, com tema livre. Eles escolheram investimentos de renda fixa. "E, para minha surpresa, numa faculdade particular, com a maioria da turma com boas condições, 95% não sabia do que estávamos falando", conta. O que o jovem viu se traduz em dados: só 21% dos brasileiros das classes A, B e C com acesso à internet tiveram acesso à educação financeira ainda quando crianças, conforme levantamento Ibope/C6 Bank."Se o pessoal da faculdade não sabe isso, imagina os moleques que jogam bola comigo na rua ou soltam pipa na laje", compara Murilo. O jovem percebeu o quanto a favela estava atrasada quando o assunto era educação financeira e tomou o problema pra si, criando Favelado Investidor em março de 2019. "O canal cresceu pois as pessoas de baixa renda conseguem se identificar com quem está do outro lado da tela", diz. "Passo o conteúdo de forma clara e objetiva". Murilo estagiou em um banco e depois foi efetivado numa auditoria, onde aprendeu mais ainda sobre o mundo dos investimentos. Até dezembro do ano passado, Murilo trampava no Morumbi, levando quase duas horas para chegar ao local de trabalho -- e, após o expediente, dedicava-se até altas horas da noite aos vídeos do Youtube.

As dicas mais chaves

Para Murilo, o essencial para investir e enriquecer é estudar. E ele não está falando de educação formal, não, apesar do curso de contabilidade ajudar bastante na leitura dos balanços das empresas, por exemplo. "A minha maior base de conhecimento foram livros em geral", explica. "Sei que estamos cansados, mas no trajeto do busão, por exemplo, separe um tempo pra leitura". Em casa, a dica é ajustar as contas. "No primeiro momento, as compras têm que ser por necessidade, não desejo", afirma Murilo. Além de cortar os gastos desnecessários, é possível diminuir os necessários, prestando atenção nas contas: "se você tem uma conta de luz alta mas mora sozinho, algo está errado", exemplifica. Outra grande defesa que o Favelado Investidor faz é a reserva de emergência. "Demorei 2 anos para juntar a minha", conta. "E o pessoal acha que reserva tem que render, mas esse não é o objetivo. Agora na crise muita gente está vendo a falta que ela faz". E, apesar de ser sócio de 11 empresas, Murilo Duarte não crê que o destino final de todo investidor seja a Bolsa: o importante é respeitar seu perfil. "Se você se sentir preparado, pode partir para ações", comenta. "Mas não pule etapas, pois não há nada melhor que o tempo para aprender e aprimorar as suas aplicações".
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