
A chegada de um novo ciclone extratropical colocou o Sul do Brasil em estado de atenção para os próximos dias, com previsão de ventos que podem alcançar 100 km/h, chuva volumosa e risco de granizo principalmente no Rio Grande do Sul, mas com desdobramentos também em Santa Catarina e no Paraná. O sistema começa a se organizar entre a noite de quarta-feira e a madrugada de quinta-feira, na divisa entre Argentina e Paraguai, e deve ganhar força ao avançar sobre a Região Sul.
Formação do sistema e áreas de risco
De acordo com os alertas meteorológicos, a formação do ciclone tem início já na quarta-feira, 19, com o sistema se estruturando entre o território argentino e o paraguaio. A partir da quinta-feira, 20, os efeitos mais relevantes começam a ser sentidos no Rio Grande do Sul, especialmente nas regiões oeste, Missões e área central, onde o potencial para tempestades severas é mais elevado. Ao longo da manhã, a preocupação se amplia para a Campanha, o sul, o sudeste e a região metropolitana de Porto Alegre.
Na sexta-feira, 21, o ciclone já deve estar plenamente configurado e em deslocamento pelo oceano, conforme a previsão mais recente. Nessa etapa, o principal ponto de atenção passa a ser a intensificação dos ventos na borda do sistema, com rajadas projetadas entre 70 km/h e 100 km/h, principalmente durante a madrugada e o início da manhã. As áreas com maior risco são o leste e o nordeste do Rio Grande do Sul, além do leste catarinense e do leste paranaense.
Alerta imediato no Rio Grande do Sul
Antes mesmo da consolidação do ciclone, o Rio Grande do Sul já enfrenta condições severas. A Defesa Civil estadual emitiu alerta para tempestades entre esta segunda-feira, 17, e a terça-feira, 18, com chuva intensa e volumosa, granizo e rajadas de vento que podem superar 90 km/h. O aviso cobre cidades como Uruguaiana, Santana do Livramento, Alegrete, Bagé, Jaguarão, Piratini, Chuí, Pelotas e Rio Grande, com atenção adicional para temporais isolados em São Borja, Santiago, Santa Maria, Santa Cruz do Sul, Caxias do Sul, Porto Alegre, Santa Rosa, Soledade, Passo Fundo, Frederico Westphalen, Erechim, São José dos Ausentes, Tramandaí, Camaquã e Mostardas.
As condições mais severas devem se concentrar na Campanha e no sul do Estado. Nessas áreas, os acumulados de chuva podem ultrapassar 100 milímetros em apenas seis horas e 150 milímetros no intervalo de 24 horas. Também há possibilidade de granizo de grande tamanho e ventos acima de 90 km/h nas regiões oeste, Campanha, Costa Doce, centro e sul do território gaúcho.
Para a quarta-feira, 19, o risco se desloca prioritariamente para a metade norte, o centro e a região metropolitana de Porto Alegre, onde são esperados temporais, granizo, chuva forte e rajadas superiores a 70 km/h. Na metade sul, a previsão indica chuva moderada a pontualmente forte, com menor potencial para eventos extremos.
Deslocamento do risco e previsão do Inmet
O Instituto Nacional de Meteorologia também projeta chuva para grande parte do Rio Grande do Sul ao longo desta semana, em função de uma frente fria associada à propagação de um cavado atmosférico. Segundo o instituto, as condições para precipitações devem se manter pelo menos até 23 de agosto.
Os maiores volumes são esperados no extremo sul gaúcho, principalmente na região sudeste do Estado, onde os acumulados podem superar 150 milímetros no período. Somente entre os dias 17 e 18, a expectativa é de cerca de 100 milímetros nessa área. Em direção ao interior, entre as regiões sudoeste, centro-oeste e noroeste, os totais diminuem e ficam próximos de 50 milímetros.
Isso significa que a população dessas regiões deve ficar atenta a alagamentos, elevação de rios e deslizamentos em áreas de encosta, além do risco de danos estruturais provocados pelas rajadas de vento.
Santa Catarina e Paraná sob influência do ciclone
Em Santa Catarina, a segunda-feira ainda deve ser de tempo firme no Grande Oeste e nos Planaltos. Na terça-feira, o calor se intensifica, com temperaturas acima de 32°C no Grande Oeste, litoral norte, Baixo Vale do Itajaí e litoral sul. A quarta-feira começa com sol e abafamento, mas há possibilidade de chuvas isoladas entre o fim da manhã e o começo da tarde no Grande Oeste e no Planalto Sul.
Entre quinta e sexta-feira, a organização do novo sistema frontal no Rio Grande do Sul cria condições para temporais em toda a região catarinense de fronteira com o Estado gaúcho. No Paraná, a Defesa Civil prevê elevação das temperaturas entre segunda e quarta-feira, sem risco de tempestades no período. As instabilidades devem retornar a partir de quinta-feira, embora o órgão indique baixo risco para tempestades associadas.
De acordo com o Inmet, as áreas de instabilidade também poderão alcançar Santa Catarina e o sudoeste do Paraná. Nesses locais, a chuva deve ocorrer de forma mais fraca e isolada, com acumulados previstos em torno de 10 milímetros.
Interesse em alta nas buscas
O tema ganhou ainda mais relevância pública após os últimos episódios de ciclone e tornados que atingiram o Sul do País. Dados do Google Trends revelam que o termo “ciclone” está em alta e vem registrando aumento consistente no interesse dos usuários nos últimos três meses.
A combinação de alertas oficiais, previsões de ventos intensos e a memória recente de eventos climáticos extremos na região tende a manter o monitoramento da população e das autoridades nos próximos dias.





