Bairros de Campo Grande acumulavam mais de 24 horas sem energia elétrica nesta sexta-feira (11), com moradores e comerciantes contabilizando perdas que vão de peixes de estimação a medicamentos refrigerados, enquanto o alerta laranja para tempestades na capital segue válido até as 22h59 de sábado (12). O temporal que atingiu a cidade na tarde de quinta-feira (10) derrubou árvores sobre a rede elétrica e provocou interrupções em diferentes regiões.

Chamados marcados como resolvidos e bairros ainda no escuro

Entre os bairros com relatos de falta de energia estão Panorama, Lagoa Itatiaia, Jardim TV Morena, Vila Margarida, Rita Vieira, Itamaracá, Nasser, Marli, Tiradentes, Monte Líbano, Carandá e Jardim Novos Estados. Moradores afirmam que registraram reclamações junto à Energisa, mas os chamados aparecem no sistema como resolvidos, mesmo com os imóveis permanecendo sem luz.

Na Rua Itaciara, no Parque dos Novos Estados, uma árvore de grande porte caiu durante a ventania e atingiu a rede elétrica. Com a força da queda, um poste quebrou na base, tombou e ficou apoiado no muro de uma residência. O trecho ficou completamente interditado para o tráfego de veículos e, segundo moradores, a energia ainda não havia sido retomada. Na Rua Wagner Jorge Borttoto Garcia, próximo ao cruzamento com a Avenida Hiroshima, outra árvore caiu sobre a rede elétrica; no imóvel de um morador a luz já havia voltado, mas a árvore continuava bloqueando a rua.

Prejuízos vão de 22 peixes mortos ao pão francês perdido

No bairro Rita Vieira, a falta de energia matou 22 peixes de estimação de uma família. O morador Antônio Luiz Ribeiro passou a usar a bateria do próprio carro para manter em funcionamento o equipamento responsável pela oxigenação dos aquários. Segundo ele, os peixes são avaliados em mais de R$ 7 mil e, até o momento, 22 morreram. Entre os animais mantidos pela família estão espécies como aruanã, pirararas, dourado e jiripocas, além de cerca de 100 camarões. A criação começou com as pirararas, por pedido das crianças — inicialmente eram quatro animais.

Além dos peixes, Antônio descartou carnes e outros alimentos congelados que estavam na residência, para evitar possíveis problemas de contaminação. “Não aguento ver meus filhos chorando pelos seus peixes mortos”, disse.

No comércio, os prejuízos também se acumulam. Em um conjunto residencial no bairro Tiradentes, uma sorveteria inaugurada há apenas 20 dias corre o risco de perder os produtos armazenados em freezers. O empresário Renato Daquila relatou que a energia acabou por volta das 17h30 e que permaneceu no local até a meia-noite tentando preservar os sorvetes, sem receber atendimento. Apesar de o aplicativo indicar que o fornecimento havia sido restabelecido, o imóvel continuava sem energia.

Na Padaria Monte Líbano, o proprietário Helio Carlos Hernandes disse que a equipe tentou reduzir as perdas levando parte da produção para outro centro, onde pães e salgados foram preparados e depois transportados de volta à unidade. Mesmo assim, produtos foram descartados: o pão francês armazenado em uma câmara fria cresceu além do ponto, e doces, bolos e itens expostos no balcão também foram perdidos. O comerciante afirmou que preferiu não vender alimentos que poderiam ter sido comprometidos pela falta de refrigeração. “Não dá para correr o risco de entregar isso para o cliente e dar um problema para uma criança, para um idoso”, disse.

No Carandá, a casa da mãe de Francinei Aleixo estava sem energia desde as 17h20. Ele precisou procurar outros locais para carregar aparelhos eletrônicos, e a família temia perder os alimentos armazenados em casa.

Risco à saúde: insulina, respiradores e falta de água

A interrupção prolongada também acendeu o alerta para famílias que dependem de medicamentos e equipamentos elétricos. A moradora Josy Rezende contou que ainda não precisou pedir ajuda com alimentos ou remédios, mas teme perder a insulina usada pelo filho, que tem diabetes tipo 1. “Ainda não pedi alimento nem medicamento, mas estou com medo de perder. Meu filho usa insulina, tem diabetes tipo 1, e a gente tem a medicação para o mês. Estamos apreensivos e com medo de ela não voltar tão cedo”, afirmou.

No bairro Jardim Novos Estados, moradores de um condomínio residencial relataram mais de 24 horas sem energia e também sem água. Valéria Ruas contou que há vários idosos no local e que alguns dependem de aparelhos elétricos para respirar. Uma ambulância foi acionada para atender uma das moradoras. Segundo ela, os alimentos já haviam sido perdidos por causa do tempo sem refrigeração. “Nós já estamos há mais de 24 horas aqui sem luz, todos os alimentos já foram perdidos e também estamos sem água”, disse.

Energisa diz que 91% dos clientes tiveram energia restabelecida

Em boletim divulgado no fim da tarde desta sexta-feira (11), a Energisa informou que 91% dos clientes já tiveram o fornecimento de energia restabelecido. A concessionária afirmou que o número de equipes técnicas nas ruas é quatro vezes maior que o contingente habitual e que os profissionais precisaram usar maquinário pesado para retirar árvores e outros objetos que atingiram a rede elétrica, reconstruída completamente em alguns trechos.

As regiões mais afetadas, conforme a empresa, são Vila Carvalho, Monte Castelo, Jardim Noroeste, Centro, Amambai, Jóquei Club, Jardim Nhanha e Tiradentes. A Energisa informou que as equipes permanecem mobilizadas, inclusive trabalhando ao longo da madrugada, e que os prejuízos ainda serão calculados. Neste momento, diz a empresa, a prioridade é restabelecer o fornecimento para todos os clientes.

Alerta laranja segue até sábado com risco de novas interrupções

A Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil de Campo Grande mantém nesta sexta-feira o alerta laranja para risco de tempestades na capital. O aviso, emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), foi estendido com validade até as 22h59 de sábado (12).

Conforme o alerta, são esperadas chuvas entre 30 e 60 milímetros por hora ou acumulados de 50 a 100 milímetros ao longo do dia, acompanhadas de ventos intensos e possibilidade de granizo. As condições aumentam o risco de interrupção no fornecimento de energia elétrica, queda de árvores, alagamentos e danos em plantações.

Diante da previsão de novas instabilidades, a Defesa Civil orienta a população a acompanhar as condições do tempo e evitar áreas sujeitas a alagamentos durante as chuvas. Também é recomendado não se aproximar de árvores, postes ou estruturas atingidas pelos ventos, que podem oferecer risco. Em caso de risco ou emergência, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199. Para solicitar serviços da Prefeitura, como a remoção de árvores, o contato é o 156. Em situações envolvendo queda total ou parcial de árvores sobre a rede elétrica, com possibilidade de energização do local, a orientação é não se aproximar e acionar o Corpo de Bombeiros, pelo 193.