Campinas acumulou 152 milímetros de chuva nos primeiros 10 dias de setembro, o maior volume para o mês em toda a série histórica do Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura), da Unicamp, iniciada em 1991. O acumulado supera os 148 mm registrados em setembro de 2015, antigo recorde, e equivale a quase duas vezes e meia a média histórica do mês, de 62 mm.
O volume excepcional foi registrado até quinta-feira (10), quando a cidade ainda contabilizava os estragos da chuva forte que atingiu a metrópole nos dias anteriores. As ocorrências somaram 12 até a tarde de quarta-feira (9), com rajadas de vento de até 26,9 km/h, e incluíram alagamentos em vias públicas e imóveis, quedas de galhos e muros, além de goteiras em escolas, centros de saúde e um ônibus do BRT.
Recorde supera 2015 e fica quase 2,5 vezes acima da média
Segundo o meteorologista Bruno Bainy, as previsões já apontavam setembro mais chuvoso do que o normal, especialmente na primeira quinzena, mas não indicavam um desvio tão expressivo em relação ao padrão histórico do mês. Em apenas dois dos dez primeiros dias de setembro não houve registro de chuva em Campinas.
“Estamos tendo uma recorrência muito grande de dias chuvosos e vários episódios de chuvas volumosas. Geralmente setembro, embora já tenha mais dias de chuva em comparação com os meses anteriores, ainda conta com períodos prolongados de tempo firme, que costumam acarretar dias muito quentes”, explicou o especialista.
De acordo com Bainy, o acumulado excepcional resulta da combinação de diferentes sistemas atmosféricos. As chuvas fortes associadas às frentes frias marcaram a primeira semana do mês, e, mais recentemente, a influência de ventos fortes em altitudes elevadas da troposfera passou a favorecer os movimentos verticais ascendentes que formam as nuvens de chuva e tempestade.
Dia 10 concentra 64 mm e supera média do mês inteiro
O maior volume diário ocorreu justamente em 10 de setembro, quando Campinas registrou 64 mm — mais do que a média histórica de todo o mês (62 mm). O dia 1º vinha em segundo lugar, com 43,4 mm, seguido por 8 de setembro (12,7 mm), 9 (10,9 mm), 5 (9,9 mm) e 6 (9,1 mm). Nos dias 3 e 7 não houve precipitação, e em 2 e 4 os volumes foram baixos, de 0,25 mm e 2,5 mm, respectivamente.
Segundo o Ciiagro, das 12h às 14h da quinta-feira foram 32 milímetros de precipitação apenas em Campinas — quase metade de todo o volume do dia concentrado em duas horas.
Alagamentos, goteiras e quedas de estruturas
Entre as ocorrências registradas até a tarde de quarta-feira (9) estavam cinco alagamentos em vias públicas, seis em imóveis e um muro com risco de queda, no Distrito Industrial. O maior índice de chuva, de 41 mm, foi observado na região Noroeste da cidade, e o maior volume pluviométrico, de 38,1 mm, foi medido na estação DC EMEF Noroeste.
Nas vias, houve alagamento de média proporção na Avenida das Amoreiras, próximo à Avenida Dom Joaquim Mamede da Silva Leite, no sentido bairro-centro, e de grande proporção na Barão de Itapura, próximo à Rua Cândido Gomide. A região do antigo Kartódromo, perto do portão 6 da Lagoa do Taquaral, voltou a ser alagada e teve o acesso bloqueado. A Avenida Princesa D’Oeste e a Rua Iracema de Matos Brown, esta em ambos os sentidos, também registraram bloqueios, com interdição total no último ponto.
Os imóveis afetados ficam nos bairros Residencial Novo Mundo, Vila Aeroporto, Jardim Lisa, Jardim Monte Cristo, Jardim Maria Rosa e Residencial CampinasGrande. Não houve registro de desalojados ou desabrigados até o fim da tarde de quarta-feira.
Na quinta-feira (10), a chuva alagou um centro de saúde, causou goteiras em escolas municipais e afetou um ônibus do BRT. Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Corrêa de Mello, no Parque Dom Pedro II, três salas ficaram com goteiras e uma placa de gesso cedeu em um corredor, sem feridos. No Centro de Educação Infantil Mayara Masson Christofoletti, no Jardim do Lago Continuação, alunos de salas com infiltração foram remanejados internamente, e as atividades seguiram normalmente.
Também foram registradas goteiras nos centros de saúde do Jardim Guanabara e Boa Esperança, na Vila Brandina. A gestão reorganizou atendimentos e fluxos internos, e uma equipe de manutenção da Secretaria de Saúde foi chamada para os reparos.
Um ônibus do BRT 11, que atende a região do Vida Nova, apresentou goteiras. A Emdec informou que acionará a empresa responsável pela linha e, como não havia informação de prefixo, vai intensificar a fiscalização para identificar o veículo. O procedimento prevê retirar o coletivo de operação para reinspeção completa e identificar o ponto exato do vazamento. O Setcamp, sindicato das empresas de transporte, afirmou que a operadora ainda não havia sido informada, mas verificaria a situação imediatamente, e lembrou que, com frequência, o problema é apenas um alçapão aberto por usuários e não fechado quando começa a chover.
Novos pontos de alagamento em imóveis foram registrados na quinta: Parque Santa Bárbara (Rua Charles Benjamim Macfadden), Jardim Yeda (Rua Antônio da Silva), Jardim Santa Rosa (Rua Geraldo Pereira de Amorim) e Jardim Chapadão (Avenida Luis Smânio). Também houve queda de galho ou árvore na Chácara Primavera (Rua Miosótis), imóvel em situação de risco no Parque Residencial Vila União (Rua Dusolina Leone Tornieux), muro em situação de risco no Jardim Eulina (Rua Doutor Walter Pereira de Queiroz) e queda de muro no Jardim Andorinhas (Rua Recôncavo).
Trânsito liberado no Bosque e no entorno do Taquaral
A Emdec liberou às 17h de sexta-feira (11) o trânsito na região do Bosque dos Jequitibás e na pista interna da Avenida Dr. Heitor Penteado, no entorno da Lagoa do Taquaral. Os bloqueios haviam sido adotados pela manhã como medida preventiva por causa do volume acumulado de chuva. A suspensão considerou a redução da chuva durante a tarde e a necessidade de melhorar a fluidez no horário de pico.
Com o fim da chamada Operação Bosque, o tráfego voltou a ser liberado na Rua General Marcondes Salgado, ao lado do Bosque dos Jequitibás, e deixou de funcionar a faixa reversível implantada na Rua Coronel Quirino, onde os veículos circulavam em contrafluxo. No Taquaral, a circulação foi normalizada na pista interna da Avenida Dr. Heitor Penteado, com a retirada do bloqueio entre a altura da Rua Almeida Garret e o balão do 4º Distrito Policial.
Agentes de mobilidade urbana e sinalização permaneceram nos dois pontos para acompanhar as condições, e a Emdec informou que as interdições podem ser retomadas caso a situação climática piore. Segundo a empresa, os bloqueios são adotados quando o acumulado de chuva ultrapassa 80 milímetros em 72 horas, condição classificada como estado de atenção. A Emdec mantém o monitoramento remoto de áreas sujeitas a alagamento com cerca de 20 câmeras instaladas em pontos estratégicos, além de painéis eletrônicos com alertas em tempo real em corredores como Norte-Sul, Orosimbo Maia, Taquaral, Princesa D’Oeste, Anchieta, Curtume e Sousas.
Alerta segue ativo com nova frente fria até segunda
A chegada de uma nova frente fria nesta sexta-feira deve trazer mais chuvas para Campinas e região até segunda-feira (14). A Defesa Civil do Estado de São Paulo emitiu alerta laranja, com possibilidade de pancadas moderadas a fortes e tempestades com ocorrência de raios em todo o estado.
Segundo a previsão do Cepagri, os volumes de chuva podem variar entre 30 e 50 mm no estado. Para a Região Metropolitana de Campinas, a previsão indica entre 30 e 59 mm, com temperaturas entre 18°C e 24°C. Por causa da instabilidade, a Fundação José Pedro de Oliveira, gestora da Mata de Santa Genebra, suspendeu as atividades de grupo de caminhada e as visitas autoguiadas programadas para quinta-feira (10).
O coordenador regional e diretor da Defesa Civil de Campinas, Sidnei Furtado, reforçou a importância de acompanhar as condições meteorológicas e os alertas oficiais durante o período de instabilidade. A orientação é evitar áreas sujeitas a alagamentos e enxurradas, nunca atravessar ruas ou avenidas alagadas, a pé ou de veículo, e buscar local seguro durante tempestades, longe de árvores, postes, muros e estruturas metálicas. Em situações de risco, a população pode acionar a Emdec (118), a Defesa Civil (199), o Corpo de Bombeiros (193) e a Prefeitura (156).





