
Os depoimentos de investigados no caso Banco Master, previstos para a próxima semana, passaram a ser tratados dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) como determinantes para a definição do futuro da investigação. Ministros da Corte avaliam que, somente após essa etapa, será possível decidir se o processo permanece no STF ou se será devolvido à primeira instância.
A condução do caso, que envolve apurações sobre operações financeiras bilionárias, tem gerado desgaste interno e pressão institucional, ampliando o debate sobre o foro adequado para a continuidade das investigações.
Depoimentos podem redefinir destino do caso Banco Master
As oitivas devem permitir uma avaliação mais precisa sobre a existência — ou não — de elementos que justifiquem a permanência do caso no Supremo. Caso não surjam novas menções a autoridades com foro privilegiado, cresce entre ministros a leitura de que a investigação pode deixar a Corte.
Nos bastidores, a devolução à primeira instância é vista como uma alternativa para reduzir o impacto político e institucional do caso Banco Master dentro do STF, especialmente diante das críticas à centralização das decisões.
STF avalia desgaste e impacto institucional
A permanência do processo no Supremo ocorreu após a citação do nome de um deputado federal em materiais apreendidos durante a Operação Compliance Zero, que investiga negócios ligados ao Banco Master. Com o avanço das apurações, porém, integrantes do STF avaliam que o vínculo com autoridades com prerrogativa de foro pode não se sustentar.
Esse cenário reforça a possibilidade de redistribuição do caso, caso os depoimentos não tragam novos elementos que justifiquem a atuação direta do Supremo.
Mudança no formato das oitivas chama atenção
Outro ponto que gerou ruído institucional foi a decisão de concentrar os depoimentos em apenas dois dias, dentro do próprio STF. Inicialmente, a Polícia Federal havia planejado as oitivas ao longo de quase uma semana, em sua sede.
A alteração no cronograma e no local dos depoimentos fugiu do padrão usual das investigações, aumentando a atenção sobre a condução do caso Banco Master e levantando questionamentos internos.
Bloqueios bilionários e apurações avançadas
A investigação apura crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa, relacionados à confecção e venda de carteiras de crédito avaliadas em R$ 12 bilhões. O STF já determinou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões e autorizou dezenas de mandados de busca e apreensão em diferentes estados.
Entre os investigados estão ex-sócios e ex-executivos ligados ao Banco Master, além de ex-dirigentes de instituições financeiras que teriam participado das operações sob análise.
Próximos passos dependem do conteúdo dos depoimentos
A expectativa no STF é que os depoimentos funcionem como ponto de inflexão do caso. A partir das informações colhidas, a Corte poderá decidir se mantém a investigação sob sua relatoria ou se transfere o processo, encerrando sua participação direta.
Até lá, o caso Banco Master segue como um dos temas mais sensíveis em tramitação no Judiciário, com reflexos políticos, institucionais e no mercado financeiro.