
A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, 15 de junho de 2026, registrou um marco inédito na série histórica do levantamento: pela primeira vez, a aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva superou numericamente a desaprovação. Segundo o estudo, 48% dos brasileiros aprovam a gestão, contra 47% que desaprovam, com 4% de indecisos. O resultado configura empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, mas consolida uma trajetória de recuperação da imagem presidencial desde março.
Crescimento da aprovação desde março
Em março de 2026, a aprovação do governo Lula estava em 45%, enquanto a desaprovação atingia 51%. A partir de abril, os índices começaram a convergir: 46% de aprovação e 49% de desaprovação. Em maio, a diferença caiu para apenas um ponto percentual (47% contra 48%). O movimento acumulado entre março e junho mostra alta de três pontos na aprovação e recuo de quatro pontos na desaprovação, indicando uma recuperação consistente do apoio popular.
A melhora na avaliação do governo ocorre em um contexto de indicadores econômicos mistos e intenso debate político-eleitoral. O levantamento também revela forte correlação entre a aprovação e a intenção de voto: 83% dos que aprovam a gestão afirmam votar em Lula no primeiro turno, enquanto 67% dos que desaprovam declaram voto em Flávio Bolsonaro (PL).
Análise por gênero e faixa etária
O recorte de gênero mostra diferenças significativas. Entre as mulheres, 53% aprovam o governo e 42% desaprovam. Já entre os homens, o cenário se inverte: 43% aprovam e 53% desaprovam. Na faixa etária, os eleitores com 60 anos ou mais apresentam o maior índice de aprovação (55% contra 42% de desaprovação). Entre os jovens de 16 a 24 anos, a aprovação é de 49%, ante 45% de desaprovação. O grupo de 25 a 40 anos é o único com saldo negativo: 44% de aprovação e 53% de desaprovação.
Esses dados sugerem que o apoio ao governo se concentra entre mulheres e idosos, enquanto os homens e adultos jovens tendem a ser mais críticos. A segmentação etária também reflete diferenças na exposição a políticas públicas e na percepção econômica.
Impacto da escolaridade e renda
A aprovação de Lula é inversamente proporcional ao nível de escolaridade. Entre os entrevistados com ensino fundamental, 61% aprovam e 35% desaprovam. No ensino médio, a aprovação cai para 41% e a desaprovação sobe para 54%. Entre os com ensino superior, 43% aprovam e 54% desaprovam. O padrão se repete na análise por renda familiar: entre os que ganham até um salário mínimo, a aprovação é de 61% (contra 33% de desaprovação); na faixa de um a dois salários, 55% aprovam e 40% desaprovam; acima de cinco salários, a desaprovação chega a 56%, com aprovação de 41%.
Esses resultados reforçam a base tradicional do eleitorado petista entre os menos escolarizados e de menor renda, enquanto os estratos mais elevados mantêm uma avaliação negativa. O governo Lula, portanto, sustenta seu apoio nas camadas populares, que historicamente se beneficiam de programas sociais e políticas de transferência de renda.
Distribuição regional e efeito eleitoral
Regionalmente, o Nordeste continua sendo o principal reduto de apoio, com 65% de aprovação e 32% de desaprovação. No Sudeste, 44% aprovam e 52% desaprovam. No Sul, a desaprovação é de 59%, com aprovação de 39%. No Norte/Centro-Oeste, 41% aprovam e 48% desaprovam. O viés religioso também aparece: entre católicos, 52% aprovam o governo.
O impacto eleitoral é direto: a pesquisa mostra que a aprovação impulsiona a intenção de voto em Lula no primeiro turno, enquanto a desaprovação favorece Flávio Bolsonaro. A vantagem numérica na aprovação, ainda que dentro da margem de erro, pode sinalizar uma inflexão nas preferências do eleitorado a cinco meses das eleições. Analistas do BTG/Nexus destacam que a tendência de melhora na avaliação presidencial, se mantida, pode alterar o cenário eleitoral nos próximos meses.





