Retrato de Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil, aos 95 anos
Fernando Henrique Cardoso completa 95 anos em meio a debates sobre economia e reformas

FHC completa 95 anos e reacende discussão sobre legado e reformas

No dia 13 de junho, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso completou 95 anos. A data não passou despercebida no cenário político e econômico brasileiro. Em artigo publicado recentemente, o economista Pedro S. Malan resgatou o contexto do Plano Real e a visão de futuro que norteou a gestão de FHC no Ministério da Fazenda em 1993. O texto serve como uma homenagem, mas também como um alerta para a situação atual do país. Malan destaca que o Programa de Ação Imediata, lançado em junho de 1993, trazia um diagnóstico preciso: o Brasil figurava entre os quatro países com inflação superior a 1.000%, ao lado de Rússia, Ucrânia e Congo. O programa estabelecia uma sequência de prioridades que conectava estabilização econômica, crescimento e justiça social.

Na exposição de motivos que originou o Plano Real, o próprio FHC, então ministro, reconheceu as limitações da Constituição de 1988 em relação ao financiamento do gasto social e à eficiência do Estado. Esse diagnóstico, repetido agora por Malan, ecoa nas perguntas do economista Marcos Mendes sobre por que o Brasil cresce pouco, por que é tão desigual e por que é tão difícil fazer reformas. O artigo lembra que, em 2002, o então candidato Lula assumiu compromissos fiscais que ajudaram a manter a inflação sob controle e a estabilidade econômica. A reedição desse espírito de responsabilidade é vista como urgente para o Brasil de 2026.

O legado do Plano Real e os desafios atuais

O Plano Real não foi apenas um plano de combate à inflação, mas sim um conjunto articulado de reformas que incluía o ajuste das contas públicas, a renegociação da dívida externa e a criação de uma nova moeda. A Unidade Real de Valor (URV) precedeu o Real, e todo o processo foi desenhado para garantir a durabilidade da estabilização. Malan ressalta que a Exposição de Motivos nº 395, de dezembro de 1993, já previa a necessidade de reformas constitucionais para viabilizar o equilíbrio fiscal e a eficiência do Estado. Esse arcabouço permitiu ao Brasil superar a hiperinflação e iniciar um ciclo de crescimento que beneficiou milhões de brasileiros.

Passados 33 anos, o país enfrenta novos desafios: baixo crescimento, desigualdade persistente e dificuldade de aprovar reformas estruturais. A referência ao passado, segundo Malan, não é nostalgia, mas sim instrumento para construir futuros possíveis. Iniciativas do Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP), da Casa das Garças e do Movimento Brasil Adiante buscam justamente elevar a qualidade do debate público. A carta de Lula em 2002, com compromissos de responsabilidade fiscal, é citada como exemplo de que é possível unir desenvolvimento social e equilíbrio econômico. Você pode acompanhar as análises e as principais notícias sobre economia em tempo real aqui na SpaceMoney.

Reflexões para o Brasil de 2026

O artigo de Malan se insere em um momento crítico, às vésperas das eleições de 2026. A frase de William Faulkner, “O passado não está morto, não é nem mesmo passado”, é usada para lembrar que as escolhas de hoje são condicionadas pelo que fomos. No Brasil, a memória do Plano Real e da liderança de FHC serve como farol para enfrentar a atual crise de confiança. A pergunta que fica é se a classe política e a sociedade conseguirão articular um novo pacto em torno do crescimento, da inclusão e da responsabilidade fiscal. O chamado por uma resposta com visão de futuro ecoa de forma cada vez mais urgente.

As palavras do próprio FHC na Exposição de Motivos de 1993 continuam atuais: faltou aos constituintes de 1988 a percepção realista dos mecanismos de financiamento do gasto social e a decisão de reconstruir o Estado com competência e eficiência. O desafio de hoje é semelhante: superar interesses particulares em nome do bem comum. Aos 95 anos, FHC simboliza não apenas uma história de sucesso, mas também a necessidade de renovação do pensamento econômico e político no Brasil.