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China

ANÁLISE: O que levou os chineses a recuar nas negociações comerciais com os EUA?

08 maio 2019 - 14h28Por Investing.com
Investing.com - O presidente Donald Trump utilizou o Twitter novamente nesta quarta-feira para criticar o recuo chinês nas negociações comerciais com os EUA. Com teor eleitoral, pois vai buscar a reeleição no ano que vem, Trump insinuou que o governo chinês “pretende negociar com um democrata fraco”. No entanto, há outros motivos para a China ter retrocedido em pontos negociados com os americanos anteriormente. Até a semana passada, os funcionários de alto nível que participam das negociações e os governos dos dois países davam declarações de que o desfecho seria positivo. Este discurso era reforçado por fontes consultados pelos principais veículos de imprensa financeira mundial, algumas delas indicando que 90% do acordo estava fechado. Havia realmente algumas sinalizações de os chineses atenderem algumas reivindicações dos americanos imediatamente. Houve a promessa de aumento das importações chinesas de soja, petróleo, automóveis e aviões provenientes dos EUA. Mas estas demandas eram pontuais e de efeito de curto prazo no bilionário déficit na balança comercial americana com a China. As principais reclamações dos EUA, que afetam as relações comerciais dos dois países no médio e longo prazo, são o roubo de propriedade intelectual e de segredos comerciais, a transferência forçada de tecnologia, a falta de acesso a serviços financeiros na China e o uso da taxa de câmbio para criar artificialmente competitividade da indústria. Apesar de esses pontos serem essenciais para o dinamismo da economia chinesa, foi elaborado um esboço de aproximadamente 150 páginas em inglês após semanas de conversas que teve a participação do lado chinês, inclusive, do vice-primeiro-ministro Liu He.

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A reviravolta começou na sexta-feira anterior ao tweet de domingo de Trump ameaçando a elevação de alíquota tarifária de 10% para 25% sobre US$ 200 bilhões em importações chinesas. Após o esboço ser revisado na China – principalmente pelo Politiburo, órgão máximo do Partido Comunista Chinês -, o novo texto enviado na sexta aos representante americanos apresentava recuo chinês nos principais itens de reclamações dos EUA, segundo fontes consultadas pela Reuters. Antes de Trump, o representante comercial Robert Lightzier, que participa da rodada de negociações, foi o primeiro a se enfurecer e convenceu Trump a adotar uma postura mais agressiva com os chineses. Além dos pontos acima, Lightzier não se conformou com a retirada de linguagem legal vinculativa que constava no esboço. Na visão do representante americano, que é um dos maiores linhas-dura em relação à China no governo Trump, é essencial que os chineses cumpram com as obrigações assumidas. Lightzier defende, inclusive, a incorporação das medidas do acordo na legislação chinesa, evitando que as atuais negociações não sejam, novamente, promessas vazias dos chineses. Porém, fontes da Reuters apontam que a exigência de Lightzier não é típica de um acordo comercial tradicional. O regime de cumprimento seria semelhante com os mecanismos utilizados em sanções econômicas impostas a países hostis aos americanos, como Irã e Coreia do Norte. Outro ponto de discórdia, segundo o Nikkei, do Japão, é a concessão de subsídios do governo chinês a seus principais setores através de empréstimos a juros baixos pelos bancos estatais a províncias que disputam entre si a atração de empresas em seu território. Os chineses deixaram o tema, inclusive, de fora do esboço revisado, pois a manutenção dos subsídios é defendida, inclusive, por Xi Jinping, liderança máxima do país. Os EUA pressionam para que a China encerre os subsídios que violem as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Além disso, os subsídios são essenciais para o Made in China 2025, programa lançado em 2015 que visa a liderança chinesa em setores de tecnologia de ponta, como inteligência artificial, automóveis autônomos e internet das coisas (IoT na sigla em inglês), tornando-se um forte concorrente tecnológico dos americanos. Estima-se que o governo chinês deve estimular o programa com US$ 500 bilhões em subsídios. As negociações continuam nesta semana em Washington. Havia especulação de que os chineses não levasse seus negociadores aos EUA, mas foi desmentida, além de confirmar a ida do vice-primeiro-ministro, mantendo as conversas com funcionários de alto nível. No entanto, a elevação das tarifas estão confirmadas para entrar em vigor na sexta-feira.
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