quinta, 02 de dezembro de 2021
Vale

Análise Levante - Vale (VALE3) deve ter impacto negativo no curto prazo

01 agosto 2019 - 11h27Por Redação SpaceMoney

Por Eduardo Guimarães* A Vale divulgou o resultado do segundo trimestre nesta quarta-feira (31) depois do fechamento do mercado. A empresa, entretanto, segue sentindo os impactos da tragédia em Brumadinho (MG), com mais despesas e provisões de 5,3 bilhões de reais no período (fora os R$ 19 bilhões já contabilizados no resultado do primeiro trimestre). O resultado veio abaixo do esperado em termos de resultado líquido, já que a empresa apresentou um prejuízo líquido de R$ 384 milhões no segundo trimestre (versus R$ 6,4 bilhões de prejuízo líquido no trimestre anterior). Do lado positivo, houve forte geração de caixa em relação ao primeiro trimestre (mais de 20% de alta) e uma diminuição de US$ 2,3 bilhões no endividamento líquido, totalizando US$ 9,7 bilhões contra US$ 12 bilhões ao final de março. A relação dívida líquida/Ebitda (ajustado) dos últimos 12 meses ficou em 0,9 vezes no final de junho de 2019. Esperamos impacto negativo no preço das ações (VALE3) no curto prazo, devido ao prejuízo líquido causado pelas provisões relacionadas à Brumadinho. O resultado veio em um dia de queda nos preços do minério de ferro de 3,6% nesta quinta-feira (1/ago). No entanto, a provisão coloca quase que um ponto final sobre os impactos financeiros com a tragédia de Brumadinho, e a Vale começa uma nova etapa a partir de agora. A receita líquida totalizou R$ 36 bilhões no segundo trimestre de 2019, aumento de 16% em relação ao mesmo período de 2018, favorecida pela alta dos preços do minério ferro. Os custos de produção de minério de ferro até o porto tiveram alta de US$ 14 no primeiro trimestre de 2019 para US$ 17,6 de abril a junho de 2019. Depois reportar Ebitda (métrica para ver o resultado operacional) negativo pela primeira vez na história no primeiro trimestre, a empresa voltou a apresentar números positivos, mas seguiu abaixo da expectativa. O Ebitda ajustado totalizou R$ 12,2 bilhões no segundo trimestre, queda de 13,29% na comparação com ao mesmo período do ano passado. O preço médio de referência do minério de ferro foi de US$ 100 por tonelada no segundo trimestre de 2019, um aumento de 53% em relação ao mesmo período de 2018 e 21% superior à cotação média do primeiro trimestre de 2019. Essa alta do minério de ferro é explicado pela maior produção de aço na China e à diminuição dos estoques de minério de ferro, devido à redução mundial na oferta. O principal risco do investimento nas ações da Vale ainda é relacionado aos impactos da tragédia de Brumadinho (MG) na capacidade de produção, na regulação das suas atividades e o impacto nos custos da companhia. Sem sombras de dúvidas, o futuro da mineração no Brasil ainda tem muito para mudar. Eduardo Guimarães é especialista em ações na Levante, empresa de recomendações, análises e carteiras de investimentos. Esta coluna é de inteira responsabilidade da Levante e não reflete, necessariamente, a opinião da SpaceMoney.

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