
O ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo voltou a negar, nesta sexta-feira (12), que tenha revelado segredos de Estado relacionados ao caso ET de Varginha, ocorrido em 1996 em Minas Gerais. Em entrevista ao Metrópoles, Rebelo afirmou que suas declarações sobre o suposto avistamento e captura de seres extraterrestres por militares brasileiros se basearam exclusivamente em informações já de domínio público, como reportagens e depoimentos divulgados na imprensa e na internet. A polêmica ganhou força após o congressista norte-americano Eric Burlison (Partido Republicano) afirmar, durante discussões sobre fenômenos aéreos não identificados (UAPs), que o ex-ministro teria admitido a veracidade do episódio e a recuperação de uma nave e corpos não humanos.
Declarações de Aldo Rebelo
“O que eu disse está tudo baseado em notícias já divulgadas pela imprensa, está na internet, depoimentos de médicos, de militares. Não revelei nenhum segredo de Estado, apenas comentei aquilo que já é de conhecimento público”, declarou Aldo Rebelo. O ex-ministro também esclareceu que não fez revelações sobre informações sigilosas do Ministério da Defesa, reiterando que sua posição é favorável à divulgação coordenada de documentos, caso os Estados Unidos também o façam. Em fevereiro de 2026, Rebelo já havia defendido, em suas redes sociais, que o Brasil divulgasse seus arquivos sobre o tema se o governo americano fizesse o mesmo.
Apesar do esclarecimento, as declarações continuam repercutindo entre pesquisadores e divulgadores científicos. Rebelo, que foi ministro da Defesa durante o governo Dilma Rousseff e hoje é pré-candidato à Presidência, afirmou em uma entrevista anterior ao pesquisador Jesse Michels, publicada em 11 de junho no YouTube, que conhece o conteúdo dos arquivos militares brasileiros sobre objetos voadores não identificados. Ele citou casos como a Operação Prato (Pará, anos 1970), a Noite Oficial dos OVNIs (1986) e o caso Varginha (1996), mas sustentou que a divulgação exige cautela devido a questões de segurança nacional e acordos internacionais.
Cobrança da comunidade científica
O divulgador científico Sérgio Sacani manifestou-se publicamente, pedindo explicações adicionais de Aldo Rebelo. “Se isso realmente for verdade, o Sr. Aldo Rebelo deve sérias explicações para a comunidade científica brasileira”, afirmou Sacani. Ele argumentou que, caso autoridades brasileiras tenham tido acesso a informações sobre possível vida extraterrestre, pesquisadores e instituições científicas do país deveriam participar da análise desses dados. Sacani também defendeu que, se as declarações do congressista norte-americano estiverem incorretas, é necessária uma manifestação pública para esclarecer o episódio, pois “o silêncio é a pior atitude”.
A repercussão do caso reacendeu o debate sobre a transparência dos arquivos militares brasileiros relacionados a OVNIs. Enquanto alguns setores da sociedade pedem a abertura total dos documentos, outros alertam para os riscos envolvendo espionagem e acordos de defesa. Até o momento, o Ministério da Defesa não se manifestou oficialmente sobre as declarações de Rebelo ou sobre a existência de novos documentos sigilosos.
Arquivos militares e o caso Varginha
O caso Varginha, ocorrido em janeiro de 1996, é um dos mais emblemáticos da ufologia mundial. Na ocasião, três mulheres relataram ter visto uma criatura estranha em um terreno baldio, e posteriormente surgiram relatos de militares que teriam capturado seres extraterrestres e recuperado uma nave. Apesar de décadas de investigações oficiais e extraoficiais, o governo brasileiro nunca confirmou a veracidade dos eventos. Aldo Rebelo, ao comentar o assunto, afirmou que “sabe o que as Forças Armadas têm nos arquivos”, mas evitou detalhar o conteúdo, citando interesses de segurança nacional.
A pressão por esclarecimentos aumentou após a declaração do congressista Eric Burlison, que mencionou o ex-ministro brasileiro em um contexto de discussões sobre UAPs no Congresso dos Estados Unidos. Enquanto isso, pesquisadores independentes continuam a analisar documentos oficiais obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, na esperança de encontrar pistas sobre o caso. Para muitos, as palavras de Rebelo, mesmo negando a revelação de segredos, indicam que os arquivos existem e contêm informações relevantes.
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