
Em um movimento que gerou expectativas e controvérsias, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado que um acordo para encerrar a guerra com o Irã será assinado no domingo, 14 de junho, com a reabertura imediata do Estreito de Ormuz. A declaração, publicada na rede Truth Social, veio acompanhada de provocações ao ex-presidente Barack Obama e da indicação de que os EUA pretendem remover o urânio enriquecido iraniano. No entanto, a Guarda Revolucionária do Irã negou que qualquer assinatura ocorrerá na data prevista, classificando a insistência de Trump como ‘incomum’ e sugerindo que o agendamento coincidiria com o aniversário de 80 anos do republicano.
O anúncio e seus detalhes
Segundo Trump, o acordo inclui a retomada da navegação no Estreito de Ormuz, bloqueado desde o início do conflito em fevereiro de 2026. O presidente ainda declarou que os EUA e o Irã atuarão conjuntamente para remover o urânio enriquecido armazenado no país, embora sem prazo definido. ‘No momento apropriado, quando tudo estiver calmo, entraremos para remover o material nuclear, enterrado profundamente sob maciças montanhas de granito submerso’, escreveu Trump, destacando a intenção de ampliar a cooperação regional nos próximos anos.
A declaração ocorre horas após Trump cancelar novos ataques planejados contra o Irã, citando avanços nas negociações. O vice-presidente J.D. Vance deve representar os EUA na assinatura, já que Trump estará na Casa Branca para seu aniversário e um evento de UFC, antes de embarcar para a cúpula do G7 na Europa. A guerra, iniciada por EUA e Israel em 28 de fevereiro, já havia levado a um cessar-fogo em abril, ameaçado por ofensivas recentes.
A reação iraniana e o impasse
Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana negou que Teerã assinará qualquer acordo no domingo, afirmando que negociadores iranianos declararam explicitamente que o memorando ainda não foi finalizado. O órgão sugeriu que Trump pretendia agendar a assinatura para coincidir com seu aniversário, em 14 de junho, classificando a atitude como ‘insistência incomum’. O governo iraniano já havia refutado na quinta-feira a declaração de Trump de que um ‘grande acordo’ havia sido alcançado.
O impasse reflete a complexidade das negociações, que envolvem não apenas o fim das hostilidades, mas também o controle de ativos estratégicos como o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Analistas apontam que a pressão de Trump para uma assinatura rápida pode ser uma tentativa de consolidar uma vitória diplomática antes do G7, mas a resistência iraniana sinaliza que os termos ainda não estão consolidados. A guerra de 28 de fevereiro, iniciada com ataques de EUA e Israel contra instalações nucleares iranianas, já causou centenas de mortes e elevou o preço do petróleo, impactando a economia global.
Perspectivas e riscos
Apesar da negativa iraniana, Trump manteve o tom otimista, afirmando que espera que o processo se desenrole de forma rápida, simples e tranquila. No entanto, a falta de consenso levanta dúvidas sobre a viabilidade do acordo. Nos bastidores, fontes indicam que os EUA chegaram a considerar a ocupação da ilha de Kharg, estratégica para a produção petrolífera iraniana, como forma de pressão. A movimentação lembra a tentativa de controle de ativos similar à da Venezuela, mas foi suspensa após os avanços nas negociações.
O mercado financeiro reagiu com cautela: o petróleo Brent recuou 2% após o anúncio de Trump, mas voltou a subir com a negativa iraniana. Investidores monitoram de perto os desdobramentos, já que uma interrupção prolongada do fluxo no Estreito de Ormuz poderia comprometer o abastecimento global. Enquanto isso, a comunidade internacional aguarda a posição do G7, que se reúne na próxima semana, e a resposta do Irã nos próximos dias.





