Os mercados de previsões, que ganharam escala com a eleição presidencial americana de 2024 e depois com a temporada da NFL, agora apostam na combinação dos dois eventos ao longo deste outono para ampliar a adoção, segundo reportagem da CNBC. A nova temporada de futebol americano profissional começou na quarta-feira à noite, com o duelo entre New England Patriots e Seattle Seahawks, reencontro da final do Super Bowl de 2026, enquanto o feriado do Trabalho marcou o início da campanha para as eleições de meio de mandato.

Conforme a CNBC, as plataformas de contratos de eventos entram nesse período maiores do que nunca: o volume diário negociado se mantém na casa dos bilhões de dólares, duas empresas dominam o setor e uma série de concorrentes menores tenta conquistar espaço. É a primeira vez que os dois acontecimentos que levaram esses mercados ao público amplo ocorrem em um intervalo de poucos meses. O diretor-geral de futuros e mercados de previsões da Robinhood, JB Mackenzie, disse à CNBC que o setor vive um superciclo.

Além da NFL e da política, os traders têm mostrado interesse maior em contratos econômicos ligados ao rumo dos juros do Federal Reserve, que se reúne na próxima semana, e nos playoffs da MLB, disputados em outubro.

Corrida por volume e falhas técnicas

A Kalshi registrou volume recorde de US$ 2,3 bilhões no sábado, primeiro dia da temporada do futebol universitário americano, segundo a CNBC. A Polymarket, por sua vez, lançou uma campanha publicitária com o astro do basquete LeBron James e os ex-atletas Eli Manning e Derek Jeter, além de um novo produto para sua plataforma americana, que permite conversar, compartilhar e negociar no mesmo ambiente. As duas empresas enfrentaram problemas técnicos na abertura da temporada universitária: a plataforma americana da Polymarket ficou fora do ar por boa parte do sábado e reembolsou contas que tiveram perdas na falha, enquanto a Kalshi resolveu antecipadamente um mercado do jogo da Universidade de Michigan, pagando como se a zebra Western Michigan tivesse vencido, e depois corrigiu o resultado.

As plataformas vêm priorizando o esporte mesmo enquanto se defendem na Justiça de processos movidos por estados que consideram os contratos de eventos esportivos uma forma de jogo de azar, que deveria ficar sob supervisão estadual em vez da CFTC. O presidente de desenvolvimento de negócios esportivos da Polymarket, Ari Borod, afirmou em agosto, antes de anunciar uma parceria com o New York Yankees, que a empresa opera conforme as regras da CFTC.

Entre os concorrentes, a Rothera, criada em joint venture entre a Susquehanna International Group e a Robinhood, viu os volumes crescerem após entrar no ar a tempo da Copa do Mundo, no meio do ano. O diretor-presidente Thomas Chippas disse que lançar todos esses esportes é um esforço grande. A Novig, que negocia apenas contratos esportivos, iniciou na quarta-feira uma campanha com a atriz Sydney Sweeney, e a ProphetX, lançada em junho, aposta no aumento de liquidez durante a temporada da NFL. O cofundador e diretor-presidente da ProphetX, Dean Sisun, afirmou à CNBC que a receita dobrou de junho a agosto e que espera multiplicá-la por quatro ou cinco vezes até o fim do ano em base anualizada.

Frente eleitoral

Com as eleições de meio de mandato no horizonte, a Kalshi lançou em julho uma central com dados de disputas em todo o país e prepara um evento presencial para a noite da apuração. Segundo Benjamin Freeman, chefe de crescimento político da empresa, há muito mais tempo para planejar do que em 2024, quando os contratos eleitorais só se tornaram legais nos EUA um mês antes da eleição presidencial. A Robinhood oferece aos usuários contratos eleitorais da Rothera, e a ProphetX planeja lançar mercados ligados às eleições de meio de mandato.

A CNBC informa manter relação comercial com a Kalshi, que inclui aquisição de clientes e investimento minoritário.