A imposição de uma tarifa adicional de 25% pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras, anunciada pelo presidente Donald Trump após recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), entra em vigor em 22 de julho e já provoca reações distintas entre analistas e entidades setoriais. Enquanto alguns segmentos, como varejo e frigoríficos, devem sentir impactos limitados, outros, como a indústria química e a Jalles, enfrentam riscos mais estruturais. O governo brasileiro criticou a medida e sinalizou possível recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Impactos limitados para WEG e varejistas

O BTG Pactual avalia que a nova tarifa representa um fator negativo para a WEG (WEGE3), mas com efeitos contidos sobre seus resultados. A companhia já adota estratégias de mitigação, como redistribuição da produção entre países e reajustes de preços no mercado americano. O banco mantém recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 65, destacando que o desempenho recente da ABB reforça a perspectiva positiva para os segmentos de Eletrificação e Motion, áreas estratégicas para a WEG.

O Citi, por sua vez, projeta impacto restrito para as varejistas latino-americanas sob sua cobertura. Apenas Azzas (AZZA3) e Alpargatas (ALPA4) têm exposição relevante às exportações brasileiras para os EUA, com vendas ao mercado americano representando cerca de 3% e 5% de suas receitas, respectivamente. Embora o cenário comercial permaneça incerto, os analistas do banco consideram que o potencial impacto financeiro é reduzido.

Riscos estruturais para a Jalles e alívio para frigoríficos

No agronegócio, a XP Investimentos vê efeitos limitados para os frigoríficos brasileiros, uma vez que a carne bovina ficou de fora da nova rodada de tarifas. A competitividade dos exportadores do setor permanece preservada no curto prazo, segundo a corretora.

Por outro lado, a XP alerta para um cenário mais desafiador para a Jalles (JALL3). A companhia é uma das mais expostas às mudanças, por atuar no mercado americano de açúcar orgânico. Diferentemente de medidas anteriores, consideradas temporárias, a nova política comercial dos EUA tem características mais permanentes, o que pode dificultar o repasse de preços e abrir espaço para concorrentes de outros países ganharem participação no mercado norte-americano de açúcar orgânico.

Indústria química calcula custo adicional de US$ 66 milhões

A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) estima que a tarifa gerará um custo adicional de US$ 66 milhões para o setor até o fim de 2026. Os segmentos mais afetados incluem tintas, vernizes e lacas, fibras têxteis sintéticas e sabões, detergentes e produtos de perfumaria, que ficaram praticamente fora da lista de isenções e estarão sujeitos à sobretaxa de aproximadamente 25%.

Além disso, a entidade aponta impactos sobre produtos químicos orgânicos, resinas e elastômeros. Já químicos inorgânicos e defensivos agrícolas tendem a sofrer efeitos menores, devido à maior presença de isenções. A Abiquim acompanha as negociações entre os governos brasileiro e americano, enquanto o Brasil avalia recorrer à OMC para contestar a medida.

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