O rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos subiu até cinco pontos-base nesta terça-feira (15) e alcançou 5,04%, o maior patamar desde 2007, antes da crise financeira global. O movimento amplia a pressão sobre os mercados de renda fixa às vésperas da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed) e reforça o custo de financiamento em escala mundial.

Segundo o Monitor do Mercado, a taxa já havia superado a marca de 5% na segunda-feira, em um avanço que se estende por sessões consecutivas e que não foi contido pelas medidas adotadas pelo governo de Donald Trump. Entre as iniciativas está a recompra de bilhões de dólares em títulos no mercado financeiro, que, até aqui, não interrompeu o movimento dos investidores no mercado de dívida.

Considerado referência para o mercado global de renda fixa, o Treasury de dez anos tem papel central na formação das condições de financiamento. Nos Estados Unidos, sua taxa também serve de parâmetro para outros empréstimos, como as hipotecas, o que transmite o movimento dos títulos públicos para o crédito de famílias e empresas.

Véspera da decisão do Fed

A alta do rendimento ocorre na véspera da reunião do Federal Reserve sobre a nova taxa básica de juros dos Estados Unidos. A previsão do mercado é de uma elevação, o que marcaria o primeiro aumento da taxa desde julho de 2023.

O avanço dos juros dos Treasuries significa que os investidores estão exigindo uma remuneração maior para comprar a dívida do governo americano. Esse movimento aumenta a pressão sobre as condições financeiras justamente antes da decisão do Banco Central americano.

Petróleo, dívida pública e IA: os vetores da alta

O avanço do rendimento ocorre em meio à disparada dos preços do petróleo, à deterioração das contas públicas americanas e ao aumento das preocupações com a inflação.

A pressão também está relacionada ao volume de recursos direcionado por empresas para financiar gastos com inteligência artificial (IA). Os empréstimos corporativos destinados a esses investimentos disputam com os governos a disponibilidade de recursos dos investidores.

Outro componente é o crescimento da dívida pública. Os governos vêm ampliando a emissão de títulos tanto para refinanciar papéis que estão vencendo quanto para financiar despesas associadas ao aumento dos déficits orçamentários — combinação que amplia a oferta de dívida e exige prêmios maiores para ser absorvida pelo mercado.

Alta se espalha por Alemanha, Austrália, Reino Unido e Japão

A alta dos rendimentos dos títulos públicos não está restrita aos Estados Unidos. Desde o ataque lançado por Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, a interrupção do fornecimento de petróleo e gás do Oriente Médio contribuiu para a elevação dos juros dos títulos de dívida de diferentes países.

Na Alemanha, o juro do título de dez anos alcançou o maior nível desde 2009. Na Austrália, a taxa equivalente chegou ao maior patamar em 15 anos. Os títulos do Reino Unido e do Japão também passaram a oferecer remunerações maiores aos investidores.

O cenário combinado — energia mais cara, déficits públicos elevados e concorrência por recursos com os investimentos privados em tecnologia — mantém o custo do dinheiro sob pressão, com desdobramentos diretos para a macroeconomia e para a formação de preços em renda fixa e renda variável.