
Nem toda a renda fixa passou ilesa por julho. Enquanto o Tesouro Selic 2031 entregou retorno positivo de 1,18% no mês, os títulos de prazo mais longo do Tesouro Direto amargaram perdas superiores a 5%, pressionados pela alta das taxas de juros no mercado. A maior queda entre os papéis disponíveis para venda no fim do mês ficou com o Tesouro RendA+ 2065, que recuou 5,59%.
Segundo balanço divulgado pelo Tesouro Nacional, o RendA+ 2065 também acumula perdas de 7,26% em 2026 e de 7,85% nos últimos 12 meses. Outros vencimentos longos seguiram a mesma direção: o RendA+ 2060 caiu 4,94% em julho, enquanto o RendA+ 2050 recuou 4,43%. Entre os títulos tradicionais atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2050 teve desvalorização de 4,77% no mês e acumula queda de 5,54% no ano.
O que derrubou os títulos do Tesouro?
Os retornos negativos registrados em julho são consequência do aumento das taxas de juros de mercado no período, segundo o Tesouro Nacional. O órgão afirmou que a alta dos juros fez com que o preço de alguns títulos em 31 de julho de 2026 fosse menor do que o apurado em 30 de junho.
O movimento ocorre por meio da marcação a mercado, mecanismo que atualiza os preços dos títulos conforme as condições de negociação vigentes. Quando as taxas exigidas pelo mercado sobem, o preço dos papéis já negociados tende a cair. O movimento inverso também é válido: uma queda das taxas pode provocar valorização das aplicações.
Vencimentos longos concentram as perdas
A oscilação de preços costuma ser mais intensa nos títulos com vencimentos mais distantes, o que ajuda a explicar por que os maiores recuos de julho ficaram concentrados em papéis como RendA+ e IPCA+ de longo prazo. O contraste aparece também dentro das próprias famílias de títulos.
O Tesouro IPCA+ 2032, por exemplo, teve retorno positivo de 0,19% em julho, enquanto o IPCA+ 2040 caiu 2,14% e o IPCA+ 2050 perdeu 4,77%. Entre os RendA+, a queda aumentou conforme o vencimento ficou mais distante: o RendA+ 2030 recuou 1,32%, ante perdas de 3,85% do RendA+ 2045 e de 5,59% do RendA+ 2065.
Na outra ponta, o Tesouro Selic 2031 avançou 1,18% em julho e chegou a uma rentabilidade de 14,95% em 12 meses, a maior nesse intervalo entre os títulos disponíveis para venda apresentados no balanço. A diferença de desempenho ocorre em meio às oscilações das taxas de juros de mercado, que afetam diretamente o preço dos títulos públicos antes do vencimento.
Investidor perdeu dinheiro?
A rentabilidade negativa mostrada no balanço não significa necessariamente que o investidor terá prejuízo. Os números divulgados pelo Tesouro consideram a rentabilidade bruta que seria obtida caso o título fosse vendido antes do vencimento, tomando como referência os preços em 31 de julho. Dessa forma, os retornos refletem as oscilações do mercado secundário.
A perda é efetivamente realizada caso o investidor venda o papel naquele momento e por aquele preço. Para quem mantém o investimento até o vencimento, a lógica é outra. O Tesouro ressalta que, “uma vez carregados até o vencimento, os títulos pagam a rentabilidade acordada no momento da compra”.





