Taxas do Tesouro Direto sobem com juros dos Treasuries em alta
Tesouro Direto tem alta generalizada nas taxas com juros dos EUA pressionados

As taxas do Tesouro Direto abriram em alta generalizada na manhã desta terça-feira (1º), pressionadas pela escalada das tensões no Oriente Médio, que levou os juros dos títulos do governo americano aos maiores patamares em mais de um ano. O rendimento do Treasury de dez anos, principal referência global de investimentos, subiu 3 pontos-base, para 4,788%, o maior nível desde 14 de janeiro de 2025. O papel de 30 anos avançou mais de 2 pontos-base, para 5,272%, enquanto o de dois anos subiu mais de 1 ponto-base, para 4,362%.

Por que as taxas sobem?

A alta ocorre depois que forças americanas lançaram ataques contra o Irã e um navio-tanque foi atingido por projéteis não identificados na costa de Omã, no Estreito de Ormuz. O petróleo reagiu à escalada, com o WTI subindo mais de 1%, acima de US$ 87 por barril, e o Brent avançando mais de 1%, acima de US$ 92.

Ulrike Hoffmann-Burchardi, diretora de investimentos das Américas e chefe global de ações do UBS, avalia que a ausência de um caminho claro para a reabertura do estreito, após seis meses de guerra, mantém as preocupações inflacionárias elevadas. Na visão dela, a incerteza sobre a política do Federal Reserve, as questões fiscais e o aumento das emissões de dívida ligadas à inteligência artificial seguem pressionando os títulos, e a volatilidade dos rendimentos deve persistir no curto prazo.

Taxas do Tesouro Direto sobem sem exceções

No Tesouro Direto, o IPCA+ 2050 registrou a maior alta do dia, subindo de 7,32% na segunda-feira para 7,40% nesta manhã, avanço de 8 pontos-base. O IPCA+ 2032 passou de 8,04% para 8,11%, enquanto os prefixados 2032 e com Juros Semestrais 2037 saíram de 14,62% para 14,69%, todos com alta de 7 pontos-base. Nos demais vencimentos, o avanço variou entre 5 e 7 pontos-base, sem exceções à tendência de alta.

Entre as taxas observadas às 9h25, o Tesouro Prefixado 2029 estava em 14,25%; o Prefixado 2032 e o Prefixado com Juros Semestrais 2037, em 14,69%. Nos papéis indexados à inflação, o IPCA+ 2032 oferecia IPCA mais 8,11% ao ano; o IPCA+ 2040, IPCA mais 7,54%; e o IPCA+ 2050, IPCA mais 7,40%. O Tesouro Selic 2031 pagava Selic mais 0,0729%.

Para quem aplica agora no Tesouro Direto, o movimento eleva o retorno contratado das novas aplicações, especialmente nos títulos prefixados e indexados à inflação.

Turbulência nos Treasuries e resposta de Bessent

Em meio ao avanço dos rendimentos, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, minimizou as preocupações com a turbulência no mercado de títulos americanos. Segundo ele, o mercado de dívida dos Estados Unidos tem sido o de melhor desempenho entre os grandes mercados globais, e os juros mais altos refletem confiança na economia, além de pressões de energia e inflação relacionadas ao conflito com o Irã, que devem se dissipar com o tempo.

O Departamento do Tesouro anunciou, em comunicado surpresa há cerca de duas semanas, que vai aumentar em pelo menos duas vezes o tamanho das operações de recompra de títulos nos segmentos de 10 a 20 anos e de 20 a 30 anos. Com a mudança, o limite máximo por operação passa de US$ 2 bilhões para, no mínimo, US$ 4 bilhões. As recompras em maior escala começam em 10 de setembro. Bessent disse que não estava tentando alterar a direção dos juros, mas sim desacelerá-los, e que nenhuma compra havia sido feita até o momento.

Bessent também afirmou que ele e o presidente do Fed, Kevin Warsh, estão na mesma página sobre os últimos acontecimentos nos Treasuries. Apesar da resposta, os efeitos da atuação do Tesouro foram majoritariamente revertidos: a T-note de 10 anos opera acima de 4,75%, e a T-bond de 30 anos está acima de 5,26%, próximo do nível que desencadeou a ação do Departamento.

O que pesa na política monetária dos EUA

Em sua primeira participação no simpósio de Jackson Hole, Warsh disse que as autoridades precisam estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando para a meta de forma clara e em velocidade suficiente; caso contrário, há trabalho a fazer. Bessent, por sua vez, afirmou que a economia americana sofreu choques de oferta e que elevar os juros não seria uma resposta, a menos que se observem efeitos de segunda ou terceira ordem. Segundo ele, a inflação subjacente tem permanecido muito contida.

No mercado, 69,9% das apostas indicam uma alta de 0,25 ponto percentual pelo Fed em setembro, enquanto 30,1% esperam manutenção. Há uma semana, o consenso apontava para taxas inalteradas.

Cenário doméstico

No Brasil, o PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre na comparação com os três meses anteriores, resultado acima do esperado pelo mercado, mas com um qualitativo que confirma a expectativa de desaceleração da economia. Os investidores acompanham ainda a reunião de ministros de finanças do G20, que se encerra nesta terça em Asheville, na Carolina do Norte, além de indicadores americanos, incluindo o ISM industrial e os dados de JOLTS, com o payroll previsto para sexta-feira.