Os juros futuros fecharam em baixa na terça-feira (8) na B3, na contramão dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, em um pregão marcado pela leitura das pesquisas eleitorais e pela melhora do apetite por risco doméstico.
O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2036, trecho de longo prazo da curva, recuou 19,5 pontos-base e encerrou a 14,015%, contra 14,200% do ajuste da última sexta-feira (6). O DI para janeiro de 2029, de médio prazo, cedeu de 13,885% para 13,815%. Já o DI para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, ficou praticamente estável, a 13,575%, ante 13,571% do fechamento anterior.
Pesquisas reforçam cenário de empate técnico
O comportamento dos DIs refletiu a leitura das pesquisas Quaest e BTG/Nexus, divulgadas na segunda-feira e na terça-feira, respectivamente. Nos dois levantamentos, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem tecnicamente empatados em um eventual segundo turno. Na Quaest, ambos somam 41%; na Nexus, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro registrou 46%, contra 45% do petista.
O economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, avaliou que a reação positiva do mercado às pesquisas se concentra no embate entre os dois principais oponentes. Para ele, o motor é o mesmo da Bolsa e do dólar, com agentes projetando um cenário estrutural mais favorável ao Brasil. Segundo Tavares, a realização de reformas permitiria um alívio mais consistente nas medidas de risco-país.
“Temos visto mais gente do sell side mudando o tom sobre o Brasil, ficando mais animado, e veio fluxo estrangeiro, mas o primeiro fator é o investidor nacional acreditando”, disse Tavares, para quem o ambiente de aversão ao risco está melhorando, o que se reflete na percepção de instituições financeiras locais e estrangeiras.
BofA volta a recomendar compra em ações do Brasil
Nesta terça-feira, o Bank of America (BofA) elevou a recomendação das ações brasileiras para compra. Em relatório, o banco afirmou que a desaceleração da atividade econômica e da inflação pode permitir um ciclo de afrouxamento monetário mais profundo no país.
Tesouro amplia emissões em janela mais favorável
O sócio-fundador da Eytse Estratégia, Sérgio Goldenstein, destacou que o Tesouro Nacional vem aproveitando a janela mais favorável do mercado, decorrente da queda do prêmio de risco com a melhora da perspectiva eleitoral da oposição, para ampliar as emissões de títulos prefixados e atrelados à inflação.
“A posição técnica do mercado estava mais leve, o que abriu espaço para o aumento dos lotes ofertados nos leilões, que vêm sendo bem absorvidos”, afirmou Goldenstein.
Treasuries sobem com petróleo perto de US$ 100
Nos Estados Unidos, o yield do Treasury de dois anos, mais sensível à política monetária, operava a 4,400%, ante 4,379% do ajuste anterior, por volta das 18h05 (de Brasília). Já o retorno do título de dez anos, referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito, subia para 4,792%, de 4,784% da última sexta-feira.
A alta dos rendimentos americanos foi alimentada pelo avanço do conflito no Oriente Médio. Os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, atacaram a infraestrutura energética da Arábia Saudita, e os preços do petróleo chegaram a operar na faixa dos US$ 100 durante a manhã, renovando os temores inflacionários e reduzindo o apetite por ativos de risco no exterior.





