Gráfico de análise de risco de crédito com logotipos da Fitch Ratings e fundos de investimento.
Agência de risco Fitch mantém perspectiva estável para ativos de crédito, mas aponta limitações qualitativas.

A agência de classificação de risco Fitch Ratings reafirmou, nesta quarta-feira (8), os ratings nacionais de longo prazo para as emissões de debêntures e cotas de fundos (FIDC) da Fortbrasil e da DMCard. Embora os ativos mantenham perspectivas estáveis, as estruturas apresentam limitações qualitativas severas devido à dependência de seus originadores.

Ratings afirmados e o peso dos originadores

De acordo com o relatório da Fitch, a primeira emissão de debêntures da DMCard Securitizadora teve o rating mantido em ‘BBB+sf(bra)’. Já a Fortbrasil Securitizadora e a sexta série de cotas seniores do FIDC Fortbrasil mantiveram a nota ‘Asf(bra)’.

Os ratings refletem a capacidade das operações de honrar o pagamento integral do principal e juros até o vencimento. No entanto, a Fitch destacou que as notas são limitadas pela forte dependência dos originadores no processamento e análise de crédito.

No caso da DMCard, o papel central da DM Cartões PL na originação e no servicing, sem um substituto imediato, impede uma nota mais elevada. Para a Fortbrasil, a presença da Dock Tecnologia como processadora externa e o uso de bandeiras Mastercard/Visa conferem uma proteção adicional em relação à DMCard.

Desempenho operacional e reforço de crédito

As transações têm operado em linha com as premissas de pagamento mensal (MPR) e taxas de charge-off (perdas).

  • DMCard: MPR de 38% e premissa de perda de 25%.
  • Fortbrasil: MPR de 29% e premissa de perda de 20%.

Como as securitizadoras estão em período de amortização, os níveis de sobrecolateralização (OC) — uma espécie de garantia extra para os investidores — têm aumentado consistentemente. Em janeiro de 2026, a OC da DMCard atingiu 59,8%, enquanto a da Fortbrasil Securitizadora chegou a 81,5%.

Fábio Murad critica relação risco-retorno

Apesar da afirmação dos ratings, Fábio Murad, CEO da SpaceMoney e criador do método Super ETF, faz um alerta rigoroso sobre este tipo de alocação. Para o especialista, o investidor brasileiro muitas vezes aceita riscos desproporcionais por prêmios que não compensam no longo prazo.

“É preciso ter muito cuidado com essas emissões de crédito privado altamente concentradas. O spread oferecido nessas operações muitas vezes não remunera o risco de liquidez e a dependência direta do originador. Como a própria Fitch aponta, a falta de um servicer substituto em alguns casos é um gargalo perigoso”, afirma Murad.

Murad defende que, para o investidor que busca renda com segurança, o caminho ideal passa por ativos mais diversificados. “A relação risco-retorno aqui é questionável. É muito mais eficiente buscar ETFs pulverizados de crédito, como o MARG11 do BTG, que oferece uma cesta de ativos com gestão profissional e liquidez muito superior. Investir no Brasil é, muitas vezes, um ato de resistência; por isso, não faz sentido travar capital em spreads baixos quando você pode ter proteção cambial e diversificação global”, conclui o CEO.