
O mercado de minério de ferro amanheceu pressionado nesta terça-feira, 16 de junho de 2026, com os contratos futuros da commodity na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) registrando uma queda de 0,85%, para 762 iuanes por tonelada métrica, o equivalente a US$ 112,75. O recuo foi motivado pela divulgação de números desanimadores do setor imobiliário chinês, que continuam a pesar sobre as perspectivas de consumo de aço no maior produtor global da liga metálica.
De acordo com dados oficiais divulgados pelo Departamento Nacional de Estatísticas da China, os preços das casas novas caíram 0,2% em maio na comparação mensal, ritmo ligeiramente superior à retração de 0,1% registrada em abril. Na base anual, a queda foi de 3,5%, mantendo o mesmo patamar do mês anterior. O setor imobiliário, historicamente o maior consumidor de minério de ferro e aço, enfrenta uma crise prolongada que tem redirecionado a demanda para a indústria manufatureira, mas sem compensar as perdas.
Impacto da crise imobiliária na demanda por minério de ferro
A persistente fragilidade do mercado imobiliário chinês é o principal fator por trás do movimento de baixa observado nos preços do minério de ferro. Com a demanda por habitação em níveis baixos, as siderúrgicas reduzem suas encomendas de matéria-prima, pressionando as cotações.
Os dados de maio indicam que, apesar de algumas grandes cidades mostrarem sinais tímidos de estabilização, a tendência geral continua negativa. A queda mensal de 0,2% nos preços das casas novas, embora modesta, acentuou-se em relação a abril, sugerindo que a recuperação ainda não se consolidou. No acumulado de 12 meses, a retração de 3,5% é a maior desde o início da crise e reforça a percepção de que o setor imobiliário ainda não encontrou um piso.
O impacto se reflete diretamente no consumo de aço. Com menos obras e vendas, a demanda por aço para construção civil encolhe, e as siderúrgicas ajustam suas operações para baixo. A produção de aço bruto em maio, embora tenha subido 0,9% em relação a abril, atingiu o nível mais baixo para o mês desde 2018, conforme dados oficiais, evidenciando a cautela do setor.
Produção de aço em maio no menor patamar desde 2018
A produção de aço bruto da China em maio registrou um aumento marginal de 0,9% frente ao mês anterior, impulsionada por uma melhora nas margens das siderúrgicas e pelo crescimento das exportações. No entanto, o volume total foi o mais baixo para o período desde 2018, revela a estatística governamental.
O resultado reflete os esforços de Pequim para conter o excesso de capacidade no setor siderúrgico, combinados com a fraca demanda interna. Ainda que as exportações tenham dado algum alívio, a dependência do mercado imobiliário como motor do consumo de aço permanece um gargalo. Para o minério de ferro, a combinação de baixa atividade siderúrgica e estoques elevados continua a exercer pressão baixista sobre os preços.
Em meio a esse cenário, a SpaceMoney analisa os desdobramentos macroeconômicos do mercado chinês em sua seção de macroeconomia.





