
O mercado global de petróleo amanheceu sob forte pressão nesta terça-feira, 16 de junho, com o Brent sendo negociado abaixo de US$ 81 pela primeira vez desde março, em meio a avaliações otimistas sobre o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã. Os contratos futuros do Brent caíram US$ 2,02, ou 2,4%, para US$ 81,15 o barril, enquanto o WTI recuou US$ 2,22, ou 2,8%, para US$ 78,53, atingindo o menor nível desde 10 de março.
Impacto do acordo provisório no estreito de Ormuz
O anúncio do presidente Donald Trump de um acordo provisório para encerrar o conflito com o Irã desencadeou uma forte correção nos preços, que já haviam caído quase 5% na segunda-feira. O acordo prevê uma extensão de 60 dias do cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do suprimento global de petróleo. Até o momento, poucos petroleiros cruzaram o estreito, mas há expectativa de que o fluxo seja retomado em breve.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, confirmou que uma nova rodada de negociações ocorrerá na Suíça na sexta-feira para chegar a um acordo final. Enquanto isso, os militares dos EUA vêm realizando operações secretas de transferência de petróleo de navio para navio, utilizando drones e helicópteros para manter o fluxo de exportações do Golfo. A reabertura do estreito é vista como um fator de pressão baixista adicional sobre os preços.
Análise de especialistas e revisão de projeções
O analista do Saxo Bank, Ole Hansen, alertou que, embora os riscos de queda no curto prazo permaneçam, o mercado pode estar superestimando a rapidez da normalização. ‘Estoques reduzidos, demanda sazonal forte e incerteza geopolítica sugerem que o caminho de volta aos preços pré-guerra pode ser menos direto’, afirmou. O Goldman Sachs já reduziu sua previsão para o Brent no quarto trimestre de US$ 90 para US$ 80 por barril, e cortou a estimativa média para 2027 de US$ 80 para US$ 75, assumindo que as exportações do Golfo retornarão aos níveis pré-guerra até o final de julho.
O Morgan Stanley também destacou em relatório que uma série de indicadores aponta para o enfraquecimento dos mercados físicos de petróleo nas últimas semanas. A combinação de demanda mais fraca e possível aumento da oferta com o relaxamento das sanções ao Irã cria um cenário de baixa para as cotações. O analista da Forex.com, Fawad Razaqzada, mencionou que os dados chineses mais fracos reforçam a percepção de que a demanda da segunda maior economia do mundo está perdendo força.
Demanda chinesa e perspectivas para o setor
As importações de petróleo bruto da China caíram 29% em maio, atingindo o menor nível em oito anos, ampliando a forte queda do maior importador mundial. Espera-se também que os embarques de petróleo bruto saudita caiam em julho. Esses dados corroboram o cenário de demanda global enfraquecida, em um momento em que a oferta tende a aumentar com a possível retomada das exportações iranianas via Estreito de Ormuz.
Com os detalhes do acordo ainda incertos e uma trégua permanente não garantida, os analistas alertam para a volatilidade persistente. O mercado segue monitorando as negociações na Suíça e os indicadores de demanda, que serão cruciais para determinar a trajetória dos preços do petróleo nas próximas semanas. A SpaceMoney continuará acompanhando os desdobramentos.





