
O mercado de petróleo encerrou a sessão desta quarta-feira, 17, em terreno positivo, impulsionado por uma combinação de fatores que vão desde a forte redução nos estoques americanos até as especulações em torno de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã. O movimento ocorreu em meio a um ambiente de alta volatilidade, com os investidores digerindo tanto os dados de oferta quanto os desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio, enquanto a decisão do Federal Reserve de manter as taxas de juros inalteradas teve impacto limitado sobre as cotações da commodity.
Estoques americanos e a dinâmica de oferta
Os preços do petróleo aceleraram os ganhos nas primeiras horas do pregão após a Agência Internacional de Energia (AIE) divulgar que a retomada do tráfego no Estreito de Ormuz pode levar meses. A declaração renovou as preocupações com a oferta global, especialmente em um contexto em que os estoques nos Estados Unidos registraram uma queda muito superior ao esperado pelo mercado. Dados oficiais mostraram uma contração expressiva nos inventários, sinalizando que o aperto na oferta já está se materializando.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato do WTI para agosto fechou em alta de 1%, a US$ 76,01 o barril, enquanto o Brent para o mesmo mês, negociado em Londres, subiu 0,75%, para US$ 79,55. O movimento de alta reflete a percepção de que os fundamentos do mercado estão mais apertados do que o precificado, com a rápida absorção dos estoques disponíveis.
Para o TD Securities, a redução dos estoques é um sinal de que os preços caíram excessivamente no curto prazo. O banco destaca que, embora a reabertura do Estreito de Ormuz esteja prevista para as próximas semanas, obstáculos técnicos devem impedir o retorno aos níveis de trânsito pré-guerra dentro do prazo de 30 dias acordado. Isso deve levar a uma nova queda dos estoques em julho e agosto, criando um cenário propício para uma alta mais forte.
Geopolítica em foco: acordo EUA-Irã e novas tensões
O clima geopolítico permaneceu volátil, com informações desencontradas sobre o andamento das negociações entre Washington e Teerã. O presidente Donald Trump voltou a endurecer o tom contra o Irã durante coletiva após as reuniões do G7, ameaçando com novos bombardeios em caso de revés no acordo e sinalizando novas sanções contra a Rússia. Essas declarações reavivaram as incertezas em relação à oferta de petróleo iraniano, que poderia aliviar o mercado caso um acordo seja selado.
Paralelamente, Israel intensificou ataques contra o Líbano, elevando as tensões regionais e adicionando um prêmio de risco aos preços do petróleo. Os países do G7, ao final da cúpula, se comprometeram com sanções adicionais contra a Rússia e pediram um cessar-fogo no Líbano, mas sem resultados concretos até o momento.
A combinação desses fatores manteve os investidores em alerta, com a commodity oscilando entre ganhos e perdas ao longo do dia. A expectativa de que o acordo EUA-Irã possa destravar barris adicionais no mercado foi contrabalançada pelo discurso duro de Trump, que sinaliza que as negociações ainda enfrentam obstáculos significativos.
Impacto do Federal Reserve e cenário macro
O Banco Central norte-americano manteve a taxa básica de juros inalterada na reunião de junho, em linha com as expectativas, mas sinalizou a possibilidade de um aumento ainda em 2026. A decisão teve impacto tímido sobre o mercado de petróleo, uma vez que os investidores estavam mais focados nos fundamentos de oferta e demanda da commodity.
No entanto, a perspectiva de juros mais altos no futuro pode influenciar o custo de carregamento dos estoques e o apetite por ativos de risco, o que merece atenção nos próximos meses. Para já, o mercado de petróleo parece estar mais sensível às questões geopolíticas e de oferta física do que às variáveis macroeconômicas.
O TD Securities reforça que a divergência entre o sentimento do mercado e os fundamentos reais cria uma oportunidade para uma correção altista, especialmente com a rápida redução dos estoques disponíveis. O banco recomenda cautela, mas vê um viés de alta para os preços no curto prazo, apoiado pela escassez iminente de barris físicos.





