Plataforma de petróleo offshore em operação no mercado global de energia
Plataforma de petróleo offshore em meio a cenário de reavaliação do mercado de energia. (Reprodução: Canva)

O mercado de petróleo inicia 2026 sem um de seus principais vetores de pressão negativa: a expectativa de um aumento expressivo da produção venezuelana. Com esse risco já precificado, o cenário passa a favorecer uma recuperação gradual dos preços da commodity, em linha com movimentos recentes observados em outros mercados de matérias-primas.

Segundo uma pesquisa da Reuters com dezenas de analistas e economistas, o preço médio do barril de petróleo deve ficar em torno de US$ 58 ao longo de 2026, nível ligeiramente acima das cotações atuais, sustentado por um desequilíbrio persistente entre oferta e demanda.

Subinvestimento limita crescimento da oferta global

O setor de energia atravessa um período prolongado de subinvestimento, fator que começa a impactar de forma mais visível a dinâmica do mercado. Após ciclos longos de preços deprimidos, a falta de capital para novos projetos tende a restringir a oferta futura, criando pressão altista estrutural sobre os preços.

Esse padrão já foi observado em outras commodities, como urânio, ouro e, mais recentemente, prata, que passaram por fortes valorizações após anos de baixo investimento.

Peso do setor de energia no S&P 500 encolhe

Dados históricos mostram que a participação das empresas de energia no índice S&P 500 caiu de cerca de 16% em 2006 para menos de 3% atualmente. A redução reflete anos de desinvestimento e menor apetite dos investidores pelo setor.

Mesmo assim, avaliações baseadas em fluxo de caixa indicam que as ações de energia não estão excessivamente caras, especialmente considerando que esse peso relativo se manteve praticamente estável nos últimos anos.

Geopolítica reduz incertezas no mercado

A questão venezuelana vinha sendo apontada como um dos últimos grandes fatores de incerteza para o mercado de petróleo, especialmente pela possibilidade de um aumento relevante da oferta global. Com esse cenário já incorporado aos preços, o foco dos investidores se desloca para fatores estruturais.

Entre eles estão a demanda crescente fora dos países da OCDE, o impacto de estímulos fiscais globais e a necessidade contínua de combustíveis fósseis para viabilizar a transição energética.

Opep pressiona curto prazo, mas não muda tendência

Decisões recentes da Opep de elevar a produção ajudaram a pressionar os preços no curto prazo. No entanto, os contratos de longo prazo apresentaram pouca variação, sinalizando que o mercado segue enxergando restrições estruturais de oferta nos próximos anos.

Essa diferença entre preços à vista e futuros reforça a avaliação de que o problema central do petróleo não está na demanda imediata, mas na capacidade limitada de expansão da produção global.

Commodities avançam com estímulos fiscais

Com diversos países adotando políticas fiscais expansionistas, as commodities vêm registrando recuperação ampla. Metais preciosos e industriais já avançaram de forma significativa, enquanto o petróleo aparece como um dos poucos ativos do segmento que ainda não acompanhou totalmente esse movimento.

Caso o ciclo observado em outras matérias-primas se repita, o mercado de energia pode entrar em uma fase de valorização mais consistente, acompanhada por maior volatilidade nos preços e recuperação das ações do setor.

Com informações de MarketWatch.com.