A primeira pesquisa nacional a capturar o impacto da tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos ao Brasil será divulgada na próxima terça-feira, 21 de julho. O levantamento do instituto Real Time Big Data, com 2 mil entrevistas programadas entre os dias 18 e 20, promete balizar as estratégias das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em um momento de acirramento da disputa pela opinião pública sobre a responsabilidade pela medida protecionista americana.
Registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09247/2026, a pesquisa chega após a confirmação do tarifaço no dia 15, que reacendeu o debate sobre a relação bilateral e os reflexos para a economia doméstica. Investidores monitoram de perto os desdobramentos, uma vez que a definição tarifária pode redirecionar fluxos de investimentos e influenciar a percepção de risco fiscal no curto prazo.
Cenário eleitoral sob nova pressão
Dados anteriores já indicavam o peso do tema na preferência do eleitorado. Levantamento Genial/Quaest divulgado no mesmo dia 15, antes do anúncio americano, apontou que 51% dos entrevistados concordaram com a tese de Lula de que Flávio Bolsonaro seria o principal responsável por eventuais sanções dos EUA contra o Brasil. Além disso, 42% afirmaram que uma decisão negativa de Washington impactaria positivamente a disposição de votar no atual presidente.
Na última rodada da Real Time Big Data, em 1º de junho, Lula apareceu com 45% das intenções de voto contra 40% de Flávio no segundo turno, dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais. O equilíbrio reforça a importância do novo levantamento para medir eventuais deslocamentos de opinião provocados pela tarifa, especialmente entre o eleitorado moderado que define a disputa.
Metodologia e abrangência da pesquisa
Com 2 mil entrevistas presenciais em todo o território nacional, a pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O questionário incluirá simulações de primeiro e segundo turno, além de perguntas sobre a percepção de frases dos pré-candidatos e temas sensíveis da agenda pública.
O instituto não incluirá uma pergunta direta sobre as tarifas impostas pelos EUA, mas mudanças nos cenários eleitorais servirão como termômetro indireto. A expectativa é que a pesquisa capte movimentos de rejeição ou aprovação a partir da narrativa de culpabilidade que domina o debate – com a campanha de Flávio atribuindo a medida ao governo Lula e o Planalto devolvendo a acusação aos bolsonaristas.
Tópicos adicionais no questionário
Além das intenções de voto, o levantamento trará a opinião dos eleitores sobre pautas como o fim do foro privilegiado para deputados e senadores, a proposta de castração química para crimes sexuais, a implementação do salário mínimo por hora trabalhada e a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA. Também será testada a adesão a um acordo com os americanos para industrialização e refino de minerais críticos, tema de forte apelo eleitoral.
A inclusão desses tópicos permite mapear quais discursos têm maior potencial de mobilização, sobretudo entre o eleitorado de centro e os indecisos. Para o mercado, a evolução dessas percepções pode sinalizar o grau de estabilidade institucional esperado após as eleições de 2026, influenciando prêmios de risco e alocações setoriais.





