A gestora Patria Investimentos reportou que a absorção bruta de lajes corporativas Classe A e A+ em São Paulo atingiu 28.938 metros quadrados no primeiro semestre de 2026, volume 31,4% superior à média do mercado medida pela CBRE. O desempenho sinaliza uma retomada consistente da demanda por espaços de alto padrão em regiões consolidadas da capital paulista, com empresas como ServiceNow, Ericsson, EQI, AZ Quest, Criteo, Zagros Capital, CSL Behring e Skechers entre os novos inquilinos.

Além do avanço nas locações, o Patria observa um aumento no dinamismo das transações de imóveis corporativos, o que amplia a liquidez do segmento e permite estratégias de reciclagem de portfólio. Dois casos exemplificam esse movimento: a venda de um ativo do fundo BLCA11 (Catuaí VBI Triple A) por R$ 65 mil por metro quadrado, valor 10,28% acima do laudo de 2025, gerando lucro de R$ 4,58 milhões (R$ 2,86 por cota) e reduzindo a alavancagem via amortização de CRIs; e a alienação parcial de um imóvel do HGRE11 (Patria Renda Urbana), que resultou em ganho de caixa superior a R$ 5,3 milhões (R$ 0,45 por cota).

Efeitos defasados nos rendimentos dos FIIs

Rodrigo Abbud, sócio e head de Real Estate do Patria, afirmou que os ativos da gestora estão capturando de forma consistente a retomada da demanda por escritórios de qualidade, com aumento da atividade comercial e melhora gradual dos fundamentos. Contudo, ele ressaltou que os impactos nos resultados financeiros dos fundos imobiliários tendem a aparecer com defasagem, devido a períodos de carência e descontos comerciais nas novas locações.

Na visão do executivo, os avanços observados nas locações devem se refletir de maneira mais clara nos rendimentos distribuídos e na precificação dos FIIs de escritórios ao longo do segundo semestre de 2026 e em 2027. Apesar da melhora operacional, o segmento ainda negocia com deságio médio de aproximadamente 32% em relação ao valor patrimonial, indicando potencial de reprecificação gradual caso o ritmo de locação e transações se mantenha.