
O governo paraguaio intensificou a fiscalização e removeu 57 painéis publicitários irregulares na região de Cidade do Leste, após a polêmica gerada por montagens digitais com o ex-presidente Jair Bolsonaro exibidas em telões locais. A ação, coordenada pelo Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC), ocorreu dias depois de um ataque hacker ter veiculado imagens provocativas contra o Paraguai, gerando forte repercussão na fronteira com o Brasil. O episódio expõe fragilidades na regulação de publicidade em rodovias e acende alertas sobre segurança cibernética em estruturas urbanas, com potenciais desdobramentos bilaterais.
Contexto da polêmica e investigação em andamento
Em 30 de maio, pelo menos três telões instalados nas proximidades da Ponte da Amizade exibiram montagens que mostravam Bolsonaro agredindo o zagueiro paraguaio Gustavo Gómez, acompanhadas da frase “Brasil mandou e desmandou no campo e na política” e da provocação “o Hexa é nosso”. O conteúdo permaneceu no ar por aproximadamente uma hora, até que as empresas responsáveis pelos equipamentos – Fast Print e Publimix – alegassem que os sistemas foram invadidos por hackers. A Polícia Nacional do Paraguai abriu investigação para identificar os responsáveis, enquanto a promotoria de crimes cibernéticos recebeu denúncia criminal das companhias.
A repercussão imediata entre moradores de Cidade do Leste levou à destruição de um dos telões na sexta-feira seguinte, com equipes policiais sendo mobilizadas para conter confrontos. O Departamento de Segurança Turística do Paraguai monitorou a situação para garantir a ordem. O caso evidencia o potencial de disseminação de conteúdo político em regiões de fronteira e os desafios na moderação de anúncios digitais em espaços públicos.
Regulamentação de publicidade em rodovias paraguaias
O MOPC baseou a remoção dos painéis na Lei nº 5.016/2014, que proíbe estruturas publicitárias na faixa de domínio das rodovias por representarem riscos à segurança viária e causarem poluição visual. Segundo o ministério, a instalação não autorizada desses equipamentos pode comprometer a visibilidade dos motoristas e aumentar o risco de acidentes. A pasta informou que já conduz processos administrativos e ações judiciais para coibir irregularidades, mas admitiu que decisões judiciais anteriores retardaram a execução de medidas.
A ação coordenada após a polêmica sinaliza uma postura mais rigorosa do governo paraguaio na aplicação da legislação, especialmente em áreas de alta circulação turística e comercial. A remoção de 57 estruturas em uma única operação representa um avanço na fiscalização, que enfrentava obstáculos burocráticos. A medida também pode servir de precedente para outros municípios fronteiriços que lidam com publicidade irregular.
Reações do setor privado e implicações corporativas
As empresas Fast Print e Publimix, proprietárias dos equipamentos invadidos, afirmaram que colaboram com as autoridades para esclarecer o episódio e identificar os responsáveis. Em nota, ambas classificaram a divulgação das imagens como “manipulação não autorizada” e registraram denúncia criminal na Promotoria de Crimes Cibernéticos. Já a New Zone, que alugava espaços nos painéis, declarou não ter participado do conteúdo e solicitou a retirada imediata das imagens assim que tomou conhecimento.
O caso levanta questões sobre a responsabilidade de empresas de publicidade outdoor na segurança de seus sistemas e na fiscalização de conteúdo exibido. Especialistas apontam que a vulnerabilidade cibernética de painéis digitais conectados à internet é um risco crescente, exigindo investimentos em protocolos de segurança e monitoramento em tempo real. Para o mercado de mídia out-of-home no Paraguai, o incidente pode acelerar a adoção de regulamentações mais rígidas e padrões técnicos para evitar novas ocorrências.
Impacto nas relações Brasil-Paraguai e cenário econômico
A polêmica ocorre em um momento de estreita cooperação comercial entre os dois países, com destaque para o comércio na fronteira e a integração energética de Itaipu. Embora o episódio tenha gerado tensões localizadas, analistas avaliam que o impacto diplomático deve ser contido, uma vez que as autoridades paraguaias tratam o caso como uma questão de segurança pública e cibernética, e não de política externa. No entanto, a remoção dos painéis e a investigação em andamento podem influenciar a percepção de investidores sobre o ambiente regulatório no Paraguai, especialmente nos setores de infraestrutura e tecnologia. Você pode acompanhar os principais desdobramentos e as notícias sobre economia em tempo real aqui na SpaceMoney.





