Lula no G7 em Evian-les-Bains com bandeiras
O presidente Lula durante sua chegada ao G7 em Évian-les-Bains, nos Alpes Franceses. Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou em Évian-les-Bains, nos Alpes Franceses, para participar da cúpula do G7 com uma agenda voltada prioritariamente a barreiras comerciais. Se, por um lado, a reunião bilateral com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmada para esta terça-feira (16), deve tratar do banimento da carne bovina brasileira no bloco, por outro, o encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump, para discutir o tarifaço americano é considerado improvável pela delegação brasileira.

A viagem relâmpago de Lula, que só aceitou o convite francês após os EUA sinalizarem novo tarifaço ao Brasil, gerou expectativas no mercado. No entanto, fontes do governo descartam qualquer negociação substancial com Trump no G7, argumentando que a complexidade do tema exige um fórum adequado, e não uma conversa de corredor ou um jantar entre líderes.

Impacto do banimento da carne brasileira na agenda bilateral

A reunião com Ursula von der Leyen coloca em primeiro plano o embargo à carne bovina brasileira, que afeta diretamente um dos setores mais competitivos do agronegócio nacional. O governo brasileiro busca reverter a decisão do bloco, que alega questões sanitárias e ambientais. A pauta inclui outros temas comerciais, mas a carne é o ponto central diante das recentes restrições.

Para o mercado, o desfecho desse encontro pode sinalizar a disposição europeia em flexibilizar barreiras não tarifárias ou, ao contrário, endurecer a posição protecionista. O Brasil depende fortemente das exportações agropecuárias para a UE, e qualquer avanço ou retrocesso nessa frente tem implicações diretas no balanço de pagamentos e na rentabilidade das empresas do setor listadas em bolsa.

Relação com os EUA: o tarifaço como pano de fundo

Enquanto a Europa domina a agenda bilateral de Lula, a tensão com Washington permanece latente. O tarifaço anunciado pelos EUA em junho, sob alegação de práticas econômicas desleais, não gerou contra-medidas formais do Brasil, mas elevou o risco de uma guerra comercial. A ausência de um encontro Lula-Trump no G7 reforça a cautela diplomática. Assessores presidenciais destacam que qualquer tentativa de tratar o tema de forma superficial seria contraproducente.

A postura brasileira sugere que o governo prefere aguardar a consolidação das medidas americanas antes de reagir, evitando escaladas desnecessárias. No entanto, a falta de diálogo direto pode prolongar a incerteza para investidores, que monitoram de perto os desdobramentos tarifários sobre o aço, o alumínio e agora possivelmente outros setores.

Agenda paralela: acordos Mercosul-EFTA e comércio com a Suíça

Antes de chegar à França, Lula reuniu-se em Genebra com o presidente da Suíça, Guy Parmelin. O encontro abordou a diversificação da pauta de exportações entre os dois países e o avanço do acordo Mercosul-EFTA, que envolve Suíça, Islândia, Noruega e Liechtenstein. O Planalto vê no pacto uma oportunidade de ampliar o comércio em um cenário global marcado por protecionismo e unilateralismo.

Para analistas, o acordo Mercosul-EFTA pode servir como alternativa estratégica às dificuldades com EUA e UE, abrindo mercado para produtos industriais e serviços. A Suíça, maior parceiro do bloco nesse grupo, tem interesse em aprofundar laços com o Brasil, especialmente nos setores farmacêutico e de máquinas. A cúpula do G7, portanto, não se limita apenas a carne e tarifas, mas insere o Brasil em uma complexa teia de negociações multilaterais.