
Em 2018, enquanto estagiava na Five Rings, Luana Lopes Lara observou a comoção online sobre uma possível gravidez de Kylie Jenner. Naquele momento, percebeu a ausência de um mercado para apostas sobre eventos cotidianos. Essa percepção a levou, ainda naquele ano, a fundar a Kalshi ao lado de Tarek Mansour, hoje avaliada em US$ 22 bilhões.
Da fofoca à fortuna: a trajetória de Luana Lopes Lara
Lopes Lara, hoje com 30 anos, acumula patrimônio estimado em US$ 2,6 bilhões, tornando-se uma das mulheres bilionárias self-made mais jovens do mundo. A empresa, que começou como uma startup de mercados de previsão, agora emprega 150 pessoas, ante apenas 35 um ano atrás. Em maio, a Kalshi registrou volume recorde de US$ 17,9 bilhões em negociações, segundo dados da Dune Analytics.
A visão de Lopes Lara era simples: permitir que qualquer pessoa aposte em qualquer coisa. No entanto, o rápido crescimento também trouxe desafios regulatórios e controvérsias. A empresa enfrentou batalhas judiciais com a CFTC e até acusações criminais no Arizona. Lopes Lara afirmou que a Kalshi está disposta a levar essas disputas até a Suprema Corte se necessário.
O modelo de negócios e a expansão internacional
A Kalshi atua como uma bolsa regulada, oferecendo contratos sobre eventos que vão desde eleições até esportes. Cerca de 80% do volume recente veio de apostas esportivas. A empresa tem mais de 500 modelos de apostas pré-estruturados e usa inteligência artificial para identificar novos temas. Lopes Lara planeja contratar mais 50 pessoas até o fim do ano.
A expansão internacional, porém, enfrenta obstáculos. A primeira investida foi no Brasil, via parceria com a XP, mas o governo brasileiro proibiu sites de mercados de previsão. Lopes Lara resiste a obter licenças de apostas, pois quer manter uma única bolsa global. Enquanto isso, a Kalshi conta com o apoio de conselheiros influentes como Donald Trump Jr. e Jay-Z.
Controvérsias e regulação
Os mercados de previsão são alvo de críticas por supostamente facilitarem insider trading e apostas em eventos sensíveis, como mortes. Em fevereiro, durante a guerra no Irã, a Kalshi congelou um mercado sobre a deposição de Ali Khamenei após sua morte, reembolsando US$ 2,2 milhões em taxas e perdas. Lopes Lara admitiu falhas na comunicação das regras.
Apesar das críticas, a Kalshi continua crescendo. A empresa planeja lançar negociação com margem e block trading para atrair investidores institucionais. A cultura interna é descontraída, com Lopes Lara mantendo uma rotina intensa, acordando às 5h45 e trabalhando até tarde. O escritório em Nova York reflete a presença na cultura pop, com parcerias como a do ator Timothée Chalamet e a arena Madison Square Garden.





