domingo, 26 de maio de 2024
Empresas

IPOs: será o retorno do movimento de listagem das empresas na B3?

Segundo a Equus Capital, dentre os principais motivos que levam uma empresa a listar suas ações está o acesso a capital e liquidez para os acionistas

11 abril 2024 - 19h01Por Redação SpaceMoney
 - Crédito: Floriane Vita via Unsplash

 O Brasil está enfrentando a sua maior escassez de ofertas públicas iniciais (IPOs) em pelo menos duas décadas. A última empresa a estrear na bolsa brasileira foi a Raizen (RAIZ4), a "joia" da Cosa, focada no ramo de exploração, refino e distribuição, em agosto de 2021.

Enquanto novas empresas entram no mercado, várias estão saindo. Existem diversas razões pelas quais uma empresa pode deixar a bolsa. Muitas têm seus registros cancelados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) devido à falta de envio de documentos periódicos ou outros problemas, enquanto algumas optam por realizar ofertas públicas de aquisição (OPA) para sair da lista.

Segundo a Equus Capital, dentre os principais motivos que levam uma empresa a listar suas ações está o acesso a capital e liquidez para os acionistas. “Com isso em mente, é compreensível por que tantas empresas optaram por adiar seus planos de IPO, dado que os últimos anos foram marcados por incertezas econômicas e políticas que afetaram sua capacidade de planejamento a longo prazo, além de um aumento significativo na taxa Selic devido à alta na inflação”, afirma a gestora.

“À medida que esse ambiente desafiador começa a melhorar gradualmente, com cortes sucessivos nas taxas de juros e um contexto macroeconômico um pouco mais estável, os sócios das empresas passam a enxergar opções mais atrativas para investir capital a longo prazo, com retornos competitivos, e estão mais inclinados a não abrir mão de possíveis ganhos ao realizar IPOs a valores inferiores aos que consideram justos para suas empresas”, destaca.

No entanto, elenca que a decisão de fazer um IPO não garante que este ocorra no Brasil. “Com a crescente facilidade de listagens no exterior e diversos casos de sucesso nessa modalidade, muitas empresas estão considerando essa alternativa como uma maneira de maximizar o retorno para os acionistas. Entretanto, a posição favorável do Brasil em comparação com outros países emergentes pode atrair mais investimentos internacionais, tornando a listagem local uma opção atrativa para as empresas”, frisa. 

 

Uma melhora gradual no horizonte

De acordo com o economista Volnei Eyng, CEO da Multiplike, haverá uma melhora gradual nas ofertas iniciais no Brasil em 2024. “Até que isso ocorra, a bolsa brasileira vem, de fato, encolhendo. Os números atuais representam uma movimentação diária 11% menor comparada a igual período do ano anterior. Ou seja, já há muito fluxo de dinheiro estrangeiro diminuindo, até mesmo porque os EUA não iniciaram ainda a diminuição dos juros”, diz.

Para ele, a partir do momento que os EUA começarem a baixar os juros, esse fluxo deve reverter a curva e isso implica no retorno de capital estrangeiro ao Brasil. “Vale lembrar que o Brasil é um mercado extremamente organizado, bem estruturado e funciona muito bem, porém, é um mercado menor e, assim, não existem índices tão sofisticados e nem tanta liquidez. Mas, em termos de legislação e de regulação funciona muito bem e oferece tranquilidade ao investidor”, frisa.

 

Expectativa de retorno

Tuanny Blumer, sócia da Black Financial, vai na mesma linha e explica que há uma expectativa acerca da volta dos IPOs para o segundo semestre de 2024.

“Esta é baseada na perspectiva de melhoria das condições macroeconômicas e de avanço de reformas estruturais. No entanto, é importante ressaltar que previsões econômicas estão sujeitas a uma série de variáveis. A concretização dessa análise dependerá da capacidade de o governo implementar medidas que promovam a confiança dos investidores, dos empresários a passar por todo processo de abertura na bolsa de valores, como diminuição de taxas, e mais agilidade e transparência no processo”, diz.

Os investidores, por sua vez, estão adotando uma postura cautelosa diante do atual cenário. “Muitos estão aguardando por sinais de estabilidade e oportunidades atraentes antes de aumentar suas posições no mercado de ações. A incerteza econômica, política, e a taxa de juros alta, também tem levado alguns investidores a buscar alternativas de investimento mais seguras e estáveis, como tesouro, CDB, LCI, LCA e os Fundos em geral”, indica.

Para a executiva, a Bolsa brasileira não está encolhendo. “O principal índice da B3 tem atingido máximas. O mercado de ações é intrinsecamente cíclico e suscetível a flutuações temporárias, como  a que se vê agora, é a principal preocupação do mercado neste cenário é a falta de dinamismo nas operações de abertura de capital, o alto custo deste processo para as empresas, e a burocracia”, descreve.

Conforme Tuanny, este processo impacta diretamente a diversificação de investimentos, o acesso ao capital para empresas em expansão e a atratividade do mercado para investidores. “Cabe lembrar que o Brasil possui um mercado de capitais relativamente desenvolvido em comparação com outros países em desenvolvimento, graças ao tamanho de sua economia, sua base de investidores e sua infraestrutura financeira”, pontua. A executiva exemplifica:

  • 2007: 64 IPOs;
  • Nos últimos 10 anos: 81 IPOs CVM400.

 

Empresas listadas

De acordo com dados operacionais divulgados pela B3 dia 31 de março, a bolsa tem 521 ofertas listadas. Vemos que 2024 tem sido o ano dominado pela CVM 160, que é o rito de registro automático das ofertas: uma das novidades trazidas pela Resolução CVM 160, a partir das contribuições da ANBIMA à edição da norma. O objetivo é proporcionar ainda mais agilidade e reduzir os custos de observância das operações. 

Apesar da redução no número de empresas listadas, há um aspecto positivo nos dados operacionais divulgados pela B3 hoje: o número de investidores individuais (CPF) voltou a ultrapassar os 5 milhões, após uma queda em agosto devido à mudança no programa de BDRs do Nubank.