O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) registrou queda de 1,13% em julho, ampliando o recuo de 0,30% observado no mês anterior, conforme dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O indicador acumula alta de 2,00% no ano e de 2,68% em 12 meses. A desaceleração foi puxada principalmente pela redução nos preços ao produtor, influenciada pela diminuição das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã, que derrubou as cotações internacionais do petróleo e de seus derivados.
Segundo Matheus Dias, economista do FGV IBRE, o aprofundamento da queda do IGP-10 em relação a junho é consequência direta do alívio no Estreito de Ormuz, que pressionou para baixo os preços do petróleo e combustíveis. O economista destacou que o movimento foi especialmente sentido nos derivados energéticos, com destaque para o óleo diesel.
IPA amplia retração com pressão sobre matérias-primas brutas
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por cerca de 60% do IGP-10, recuou 1,76% em julho, após queda de 0,71% em junho. O resultado foi liderado pelas matérias-primas brutas, que registraram contração de 4,47%. Entre os itens de maior contribuição negativa estão o minério de ferro, com baixa de 5,02%, e o óleo diesel, que caiu 6,69%. Tomate e batata-inglesa também devolveram parte dos ganhos expressivos do mês anterior.
Em contrapartida, alguns derivados do petróleo mantiveram trajetória de alta. Os óleos lubrificantes avançaram 13,59%, refletindo custos elevados na cadeia global de suprimentos e o aumento dos fretes marítimos. A FGV alerta que a recente valorização do petróleo Brent pode voltar a pressionar derivados nas próximas semanas, especialmente produtos petroquímicos com maior defasagem na formação de preços.
Inflação ao consumidor perde força com alívio em alimentação
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) desacelerou de 0,56% para 0,23% em julho. Cinco dos oito grupos pesquisados apresentaram desaceleração, com destaque para Alimentação, que passou de alta de 1,23% para queda de 0,22%. Habitação e Vestuário também contribuíram para o arrefecimento. Por outro lado, Transportes, Educação, Leitura e Recreação e Comunicação aceleraram no período. As passagens aéreas foram um dos principais vetores de alta, com avanço de 6,00%.
O movimento de descompressão nos preços ao consumidor reforça o cenário de desinflação em curso, embora setores específicos ainda apresentem pressões pontuais. A FGV monitora a evolução dos custos de serviços e transportes, que podem ser impactados por eventuais repasses da alta do petróleo.
Construção civil desacelera, mas mão de obra segue pressionada
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou alta de 0,65% em julho, abaixo dos 0,92% de junho. A desaceleração ocorreu principalmente nos grupos Materiais e Equipamentos e Serviços. No entanto, os custos com mão de obra aceleraram para 0,96% no mês, mantendo a pressão sobre o setor da construção civil. A combinação de insumos mais baratos com encarecimento da força de trabalho sinaliza desafios para a rentabilidade das construtoras no curto prazo.
Você pode acompanhar os principais desdobramentos e as notícias sobre economia em tempo real aqui na SpaceMoney.





