A Gerdau (GGBR4) registrou um salto de 69,8% no lucro líquido do segundo trimestre, alcançando R$ 1,45 bilhão, um desempenho que superou as expectativas do mercado e impulsionou as ações da siderúrgica para o maior patamar em três anos. O resultado foi puxado pela forte operação na América do Norte, que compensou a fraqueza nos mercados doméstico e sul-americano.

A receita líquida totalizou R$ 17,87 bilhões no período, um avanço de 2,0% na comparação anual. O crescimento, no entanto, foi concentrado no exterior: enquanto a unidade norte-americana expandiu sua receita em 10,8%, para R$ 10,13 bilhões, as operações no Brasil e na América do Sul apresentaram retrações de 8,6% e 3,9%, respectivamente, somando R$ 6,69 bilhões e R$ 1,28 bilhão.

América do Norte como motor de crescimento

A operação norte-americana consolidou-se como o principal vetor de expansão da Gerdau no trimestre, beneficiada por um ambiente de preços mais elevados, demanda aquecida e margens em expansão. Setores como energia renovável, data centers e manufatura foram os grandes impulsionadores da procura, criando um cenário favorável também para as importações da companhia.

Esse desempenho robusto na América do Norte contrasta com o cenário doméstico, onde a recuperação segue gradual. No Brasil, a receita caiu 8,6%, refletindo um ambiente de preços mais desafiador, enquanto na América do Sul o recuo foi de 3,9%. Apesar disso, o Ebitda gerencial atingiu R$ 3,43 bilhões, ficando 5% acima do consenso de analistas, o que demonstra a eficiência operacional da companhia mesmo em mercados menos favoráveis.

Perspectivas positivas dos analistas

O Itaú BBA mantém uma visão construtiva para a Gerdau no segundo semestre de 2026, destacando a expansão das margens na América do Norte após os recentes aumentos de preços e um cenário macroeconômico favorável à demanda, com carteira de pedidos superior a 100 dias. No Brasil, a expectativa é de uma recuperação gradual, em meio a um ambiente de preços ainda desafiador.

O Citi, por sua vez, reafirmou a Gerdau como sua principal escolha no setor siderúrgico, citando um perfil de geração de caixa mais atrativo que o dos pares. Os analistas do banco acreditam que a companhia entra em um período mais favorável de resultados no Brasil, com melhora sazonal esperada no terceiro trimestre de 2026 e perspectivas positivas para 2027, enquanto os negócios nos Estados Unidos devem continuar apresentando evolução sequencial.

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