Os fundos imobiliários fecharam agosto pressionados por um cenário doméstico adverso, mas analistas avaliam que a correção das cotas começou a criar oportunidades seletivas para investidores de longo prazo. A leitura é de Caio Araujo, analista da Empiricus Research, que enxerga no movimento um ponto de entrada historicamente favorável para ativos de qualidade.

Com a queda recente, o IFIX, principal índice de fundos imobiliários da B3, passou a ser negociado a aproximadamente 0,86 vez a relação entre preço e valor patrimonial (P/VP). O patamar fica abaixo da média observada nos últimos dez anos, o que indica desvalorização relevante das cotas em relação ao patrimônio dos fundos.

Segundo dados da Empiricus Research, quando o IFIX atingiu esse nível em ocasiões anteriores, os retornos nos 12 meses seguintes tenderam a superar o CDI em 76,6% das observações. O histórico reforça a tese de que o momento pode ser oportuno para alocações em fundos imobiliários, embora o analista ressalve que a seleção dos ativos se torna ainda mais decisiva.

“O mesmo mercado que aumenta os riscos também começa a abrir oportunidades em ativos de qualidade”, afirma Araujo. Para ele, não se trata de comprar qualquer fundo que apresente queda, mas sim de escolher papéis com boa estrutura, setores diversificados e gestão consolidada.

Correção das cotas e o impacto no valuation

O desempenho negativo de agosto interrompeu uma sequência de avanços modestos registrada nos meses anteriores. A pressão sobre os ativos domésticos fez com que diversos FIIs voltassem a operar no negativo, ampliando o desconto das cotas frente ao valor patrimonial.

No caso do IFIX, a relação P/VP abaixo da média histórica acende um alerta para o mercado: ou o mercado está precificando riscos maiores, ou há espaço para captura de valor nos próximos meses. Ainda assim, a recomendação dos analistas é de cautela e rigor na escolha dos papéis.

Carteira TOP FIIs e a nova composição

Nesse contexto, a Empiricus atualizou sua carteira recomendada TOP FIIs para setembro, com sete fundos selecionados por Caio Araujo. O portfólio busca diversificação entre diferentes setores e estratégias, combinando recebíveis, galpões logísticos, shopping centers e hedge funds.

Até o encerramento de agosto, a carteira acumulava alta de 8,4% em 2026, contra queda de 0,3% do IFIX no mesmo período. O resultado evidencia a importância da seleção de ativos na rentabilidade dos investidores.

Entre as novas adições do mês está o Kinea Hedge Fund (KNHF11). O analista destaca a maior exposição do fundo a ativos de crédito e a experiência da Kinea na originação, estruturação e acompanhamento das operações, além da atuação integrada de diferentes equipes da gestora.

A composição completa da carteira, com a indicação de quanto investir em cada ativo, está disponível gratuitamente na área logada da Empiricus Research. O portfólio inclui fundos ligados a estratégias como recebíveis, galpões logísticos, shopping centers, hedge funds e outros segmentos.