Investidores pessoa física nos Estados Unidos podem ganhar mais espaço em fundos de private equity e de capital de risco, segundo reportagem da CNBC. A SEC, comissão de valores mobiliários do país, está preparando novas propostas para que esse tipo de aplicação não fique restrito aos mais ricos ou aos considerados mais sofisticados, afirmou nesta semana o presidente do órgão, Paul Atkins.

Entre as medidas em discussão está a permissão para que consultores de investimento registrados cobrem taxas de performance de até 20% em fundos públicos, patamar semelhante ao usado historicamente no setor de hedge funds. A SEC também estuda novas formas de qualificar pessoas físicas como investidoras credenciadas, incluindo a possibilidade de aprovação em um exame.

Como o varejo já acessa o setor privado

Já existem cerca de duas dúzias de fundos fechados de capital aberto voltados a private equity ou capital de risco, segundo dados da Morningstar Direct citados pela CNBC. Emily Zheng, analista sênior de pesquisa da PitchBook, empresa da Morningstar, disse à CNBC que essa é uma forma de obter exposição ao mercado privado sem concentrar demais em uma única companhia.

A oferta varia conforme a corretora. A SoFi disponibiliza fundos como o ARK Venture Fund (ARKVX), o CAZ GP Stakes Fund (CZGIX) e o Cashmere Fund (CSHMX). Já o Robinhood Ventures Fund 1 (RVI), o Destiny Tech100 (DXYZ) e o Fundrise Innovation Fund (VCX) podem ser comprados em plataformas como Robinhood e Fidelity. O ARK Venture tinha OpenAI e Anthropic entre suas dez maiores posições em 31 de agosto, enquanto o fundo da Robinhood listava Ramp, Revolut e OpenAI entre os principais ativos.

Há também ETFs que misturam ações listadas e empresas fechadas. O KraneShares Public-Private AI & Technology ETF (AGIX) cobra taxa de 1% e, em 30 de setembro, tinha as dez maiores posições em companhias de capital aberto, mas mantinha Anthropic e Polymarket entre as principais apostas privadas. O ERShares Private-Public Crossover ETF (XOVR) cobra 0,75% e sua maior posição privada é um veículo ligado a ações da SpaceX antes da abertura de capital.

Liquidez, informação e custos

Investir nesses veículos envolve riscos. Os ativos privados são ilíquidos, pode haver diferença entre o valor dos papéis subjacentes e o que o investidor aceita pagar pela cota, e alguns fundos só são acessíveis por corretoras específicas, com aplicação mínima. Além disso, não há demonstrações financeiras para boa parte da carteira, porque são companhias fechadas — e, quanto mais jovem a startup, menos informação pública existe.

Adrianna Adams, chefe de planejamento financeiro da Domain Money, disse à CNBC que esses fundos são de longo prazo. “Eles são feitos para serem investimentos de longo prazo”, afirmou. Se o investidor precisa do dinheiro no ano seguinte, o investimento ainda não teve tempo de evoluir, segundo ela. Também é preciso checar as regras de resgate: se é possível comprar e vender como uma ação comum ou apenas um percentual por trimestre. No crédito privado, muitos investidores tentaram sair neste ano e foram bloqueados por grandes gestoras com base em regras de prospecto.

As taxas costumam ser bem maiores do que as de fundos de índice ou ETFs de ações listadas, segundo Rami Sarafa, diretor executivo da Cordoba Advisory Partners, que citou taxas de despesa entre 3% e o patamar superior a 4%, com custos extras dependendo da corretora. Nos ETFs, regras da SEC limitam ativos ilíquidos a no máximo 15% dos ativos líquidos de um fundo público, o que restringe a exposição ao privado.

Daniel Milan, sócio-gerente da Cornerstone Financial Services, disse à CNBC que investidores pessoa física geralmente não deveriam destinar mais de 10% da carteira a investimentos alternativos, categoria que inclui private equity, capital de risco, crédito privado, criptomoedas e imóveis. A fatia em fundos de private equity e venture pode ser bem menor, de 2% a 5%. Muitos consultores só recomendam esses fundos a clientes com patrimônio acima de US$ 1 milhão e renda superior a US$ 200 mil por pessoa, ou US$ 300 mil no caso de casais.