
A recuperação extrajudicial da Braskem expôs uma dor de cabeça coletiva no mercado de crédito privado: 175 fundos brasileiros mantinham títulos da petroquímica em suas carteiras, com exposição somada de R$ 586,4 milhões. O número consta de levantamento da Economatica e foi divulgado pelo Monitor do Mercado. O caso reacende o debate sobre os limites da gestão ativa quando uma grande tese começa a ruir.
Segundo o Monitor do Mercado, a companhia tenta reestruturar mais de US$ 10 bilhões em dívidas, e seus instrumentos financeiros já negociavam, em média, a cerca de 42% do preço unitário antes do pedido de proteção contra credores — sinal de que parte relevante da deterioração já havia sido incorporada pelo mercado. A Braskem é o capítulo mais recente de uma sequência que inclui Americanas e Casas Bahia e que colocou em xeque a capacidade até de gestores bem avaliados de abandonar uma tese no momento certo.
O exemplo mais citado dessa dificuldade veio da Hapvida. A Squadra Investimentos, reconhecida pela profundidade de suas análises, classificou a posição na operadora de saúde como o “maior erro de investimento” de sua história, após queda de 95,8% no lucro líquido ajustado do segundo trimestre e um tombo superior a 30% das ações em uma única sessão.
O contraste do método quantitativo
Enquanto 175 fundos apareciam expostos à Braskem e outras casas amargavam perdas com Americanas, Casas Bahia e Hapvida, a Wiser Asset manteve suas carteiras administradas longe dos quatro casos. No episódio da operadora de saúde, o sistema quantitativo da gestora sequer aceitou a posição.
A diferença, segundo a abordagem divulgada pela Wiser, está na origem das decisões. Em vez de construir a carteira a partir de grandes convicções sobre empresas individuais, a gestora usa modelos quantitativos proprietários, análise de dados, regras de alocação e controle de risco. A seleção individual de ativos deixa de ocupar o centro do processo.
O que o caso Braskem ensina sobre descontos
A exposição dos 175 fundos não significa automaticamente erro de todos eles, como observa o Monitor do Mercado. Algumas gestoras mantinham posições pequenas, outras tinham proteções e parte dos títulos já carregava descontos superiores a 50%. O problema é que um papel muito descontado pode representar uma oportunidade de recuperação ou antecipar um problema ainda maior — e a decisão continua dependendo da leitura sobre o futuro da empresa.
No caso da Hapvida, a discussão é ainda mais incômoda porque a Squadra construiu sua reputação justamente no estudo aprofundado das companhias. A própria gestora reconheceu que a tese estava errada. Na Wiser Asset, a Hapvida nunca passou pelos critérios do modelo, que avaliam risco, retorno e contribuição para o portfólio como um todo, e não foram desenhados especificamente para detectar problemas na operadora.
Bases teóricas da gestão quantitativa
Embora a gestão quantitativa seja associada a novas tecnologias, sua base nasceu em 1952, quando Harry Markowitz demonstrou que o risco de uma carteira depende também da relação entre os ativos. Trabalhos de James Tobin e William Sharpe aprofundaram a abordagem, e estudos mais recentes ajudaram a resolver distorções práticas, como reações excessivas a pequenas mudanças nos dados e concentrações indesejadas.
A metodologia da Wiser acrescenta limites por classe de ativos, controle de volatilidade e regras de validação. Novas ideias precisam ter justificativa econômica antes de serem testadas, reduzindo o risco de estratégias que parecem boas apenas porque foram ajustadas ao passado.
Processo importa tanto quanto os ativos
Gestão quantitativa não elimina risco. Modelos podem atravessar períodos desfavoráveis, relações históricas podem mudar e carteiras sistemáticas também podem sofrer perdas. A diferença está na origem das decisões: no stock picking, o resultado depende mais da capacidade de compreender uma companhia e projetar seu futuro; na abordagem quantitativa, pesam mais os dados, as regras, a diversificação e a disciplina de execução.
Para quem entrega o patrimônio a uma gestora, portanto, episódios como os da Braskem e da Hapvida deixam uma questão que vai além de saber quais ativos estão na carteira: é preciso saber qual processo determinou que eles estivessem ali. É esse processo que a Wiser Asset coloca no centro de suas carteiras administradas, com modelos quantitativos, diversificação e controle sistemático de risco para reduzir a dependência de grandes convicções individuais.
Todo investimento envolve riscos e pode resultar em perdas. A ausência de exposição aos casos mencionados não representa garantia de proteção contra eventos semelhantes ou perdas futuras.





