O presidente-executivo e diretor de investimentos da gestora americana Fred Alger Management, Dan Chung, escapou dos ataques de 11 de setembro de 2001 por acaso e, nos 25 anos seguintes, reconstruiu a firma. A trajetória e as apostas atuais do gestor foram relatadas pela CNBC. Naquela manhã, ele, então analista de tecnologia, começou o dia no hotel Intercontinental, em Midtown Manhattan, para acompanhar a apresentação de um executivo de uma empresa de sua carteira, e chegou atrasado à reunião.
O escritório da Alger ficava no 93º andar da Torre Norte do World Trade Center, o primeiro prédio atingido. A firma perdeu 35 funcionários, entre eles o então presidente-executivo David Alger. Michael Howell, diretor de tecnologia, também morreu, mas o centro de contingência que ele havia preparado em Morristown, Nova Jersey, permitiu que as operações fossem retomadas em 13 de setembro, com registros de clientes e modelos proprietários intactos, de acordo com a CNBC.
Chung passou o restante daquele dia com colegas em hospitais da cidade, à espera de sobreviventes, e foi nomeado diretor de investimentos logo após a tragédia, por ser o mais sênior entre os sobreviventes. Fred Alger, fundador da firma e sogro dele, deixou a aposentadoria para pedir que ele reconstruísse o negócio. Em entrevista à CNBC, Chung disse que recusou a orientação de consultorias para contratar gestores de destaque de outras casas e preferiu chamar de volta profissionais formados na própria Alger.
Hoje, a gestora administra mais de US$ 47 bilhões, segundo a própria firma. O fundo principal, o Alger Spectra Fund (SPECX), reúne US$ 4,5 bilhões em ativos. Conforme a Morningstar, o fundo ficou entre os 4% melhores de sua categoria no ano passado e entre os 2% melhores em 2024, além de aparecer no primeiro quartil nos prazos de três, cinco e dez anos.
A aposta na inteligência artificial
A tecnologia segue no centro da estratégia. A Nvidia era a principal posição do Spectra em junho, com 14% dos ativos, e subia 17% neste ano, segundo a CNBC. Chung afirmou à CNBC que espera que a fabricante de chips volte a operar com múltiplo preço/lucro acima do mercado. Ele também citou CrowdStrike, Western Digital, Micron e a Nebius Group, que quase triplicou neste ano, entre as apostas de maior convicção da casa.
Para o gestor, o ciclo ligado à inteligência artificial ainda está no começo e deve se estender por quase uma década. Ele disse à CNBC não ver risco de excesso de oferta de data centers, mas escassez de capacidade de processamento no momento. “Isso me parece mais 1995 do que 1999”, afirmou Chung à CNBC.
Formado em Stanford e com passagem pela faculdade de direito de Harvard, onde também foi assistente no Supremo dos Estados Unidos, Chung definiu a reconstrução como um esforço de preservar a cultura da Alger, e não apenas de manter a firma de pé, conforme a CNBC. Fundada em 1964, a empresa ficou conhecida pelo estilo voltado ao crescimento e por ter investido cedo em companhias como Intel, Apple e Microsoft.





