
O mercado de criptoativos amanheceu em tom de alívio nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, com o Bitcoin sendo negociado a US$ 64.833, impulsionado por expectativas de um acordo entre Estados Unidos e Irã. No entanto, por trás do otimismo de curto prazo, duas forças opostas continuam a moldar o cenário macro para a maior criptomoeda: a desaceleração nas saídas dos ETFs de Bitcoin à vista e o fortalecimento dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano de dois anos, que sinalizam possíveis aumentos de juros pelo Federal Reserve.
Dados da SoSoValue revelam que os ETFs de Bitcoin listados nos EUA registraram mais US$ 228 milhões em resgates na semana encurtada pelo feriado, marcando a sexta semana consecutiva de fluxo negativo. O total acumulado desde o início da onda de saídas já atinge US$ 5,94 bilhões. A boa notícia é que o ritmo de sangria diminuiu pelo segundo mês seguido, após US$ 315,84 milhões em retiradas na semana anterior — uma melhora significativa em relação às quatro semanas anteriores, quando os resgates superaram US$ 1 bilhão a cada semana e cresceram progressivamente.
Desaceleração nas saídas sinaliza estabilização institucional
A análise da Tagus Capital, enviada por e-mail, aponta que, embora o mercado ainda não tenha retornado a entradas líquidas sustentadas, a desaceleração indica que a fase mais agressiva de redução de risco institucional está desaparecendo. Os fluxos estão se deslocando para um posicionamento mais seletivo e equilibrado, o que sugere que os investidores não estão mais acelerando as saídas, mas sim reposicionando capital gradualmente.
Esse movimento, segundo a Tagus, fornece um piso potencial para o lado negativo do preço do Bitcoin, já que a demanda por ETFs, embora frágil, mostra sinais de estabilização. A firma destaca que o cenário atual é de “estabilização, mas ainda frágil”, com investidores institucionais adotando uma postura cautelosa, porém menos pessimista do que nas semanas anteriores.
Desacoplamento entre petróleo e juros acende alerta para o Bitcoin
Enquanto as saídas de ETFs diminuem, um novo vento contrário ganha força no mercado macroeconômico. O rendimento do título do Tesouro americano de dois anos, sensível às expectativas de política monetária do Fed, atingiu 4,21% nesta segunda-feira, o maior nível desde fevereiro de 2025. Esse movimento ocorre em paralelo a uma forte queda nos preços do petróleo WTI, criando um desacoplamento atípico entre as duas variáveis.
Historicamente, petróleo e juros de curto prazo tendem a se mover juntos, mas a divergência atual sugere que o mercado está precificando um risco de alta na inflação devido aos efeitos de segunda ordem do pico de preços do petróleo em março. Isso aumenta a probabilidade de o Fed elevar as taxas de juros, o que tradicionalmente pressiona ativos de risco como o Bitcoin.
Core PCE deve confirmar pressão inflacionária
O indicador de inflação preferido do Fed, o núcleo do PCE, será divulgado nos próximos dias e deve corroborar essa tendência. Segundo o FactSet, a expectativa é de alta de 0,37% no mês, elevando a taxa anualizada para 3,4% — o maior patamar desde maio de 2024. Esse número reforçaria a narrativa de que a inflação continua teimosa, mantendo o Fed em modo hawkish.
Para o Bitcoin, a combinação de saídas de ETFs ainda negativas, embora em desaceleração, e a perspectiva de juros mais altos reduz as chances de uma recuperação convincente no curto prazo. O mercado de criptomoedas, representado pelo Bitcoin, permanece em uma encruzilhada, onde o alívio tático pode ser ofuscado por ventos macroeconômicos contrários.





