
A OranjeBTC, maior empresa de tesouraria de Bitcoin do Brasil, planeja listar na B3 um novo fundo negociado em bolsa (ETF) com foco em renda mensal. O DIGY11, como foi batizado, terá alocação inicial de 95% do portfólio em ações preferenciais da Strategy, representadas pelo ticker STRC, e os 5% restantes em papéis da Strive, o SATA. O objetivo é entregar distribuições mensais equivalentes ao CDI (depósito interbancário) acrescido de três a cinco pontos percentuais, já descontados os custos do fundo, conforme informações divulgadas pela própria gestora.
Estrutura do fundo e alocação inicial
A composição do DIGY11 aposta em duas classes de ações preferenciais emitidas por companhias que mantêm Bitcoin em seus balanços. As ações da Strategy (STRC) e da Strive (SATA) pagam distribuições recorrentes em dólar, com yields atuais de 12,5% e 13,1%, respectivamente. De acordo com a OranjeBTC, o Bitcoin dessas empresas permanece como ativo de suas carteiras e não é oferecido como garantia aos acionistas preferenciais.
Essa característica cria uma camada adicional de exposição indireta ao Bitcoin, sem que o cotista precise deter diretamente o criptoativo ou se sujeitar à custódia digital. A combinação das duas posições permite ao fundo buscar um fluxo de renda em moeda forte, ainda que o produto seja negociado em reais na bolsa brasileira.
Meta de distribuição e custos
A meta estabelecida pelo DIGY11 é entregar, anualmente, distribuições que correspondam à taxa CDI, atualmente em 14,15%, mais uma rentabilidade adicional de três a cinco pontos percentuais, líquida das despesas estimadas em 1,30%. Esse indicador, no entanto, não representa garantia de retorno e está sujeito às variações das distribuições das ações preferenciais e dos diferenciais de juros entre Brasil e Estados Unidos.
Em conversa com a equipe da SpaceMoney, o diretor de estratégia e pesquisa da OranjeBTC, Sam Callahan, explicou que a estimativa exclui as oscilações do preço das cotas do próprio ETF e que a taxa de administração foi fixada em 0,90% ao ano. O fundo também realizará hedge cambial por meio de contratos futuros de câmbio com ajuste mensal, para proteger os cotistas da variação do dólar sobre os proventos recebidos.
A posição da OranjeBTC e o acúmulo de bitcoin
A OranjeBTC é atualmente a maior empresa brasileira dedicada à tesouraria de Bitcoin, com uma reserva de 3.950 BTC, avaliada em aproximadamente US$ 250 milhões. A criação do DIGY11 representa uma extensão dessa estratégia, ao oferecer a investidores locais um veículo regulado de acesso a instrumentos corporativos ligados ao ecossistema do maior criptoativo do mercado.
A estrutura escolhida pela gestora busca combinar previsibilidade de rendimento com exposição ao dólar. Enquanto as ações preferenciais da Strategy e da Strive distribuem resultados recorrentes, o gestor gerencia o risco cambial e a diferença entre as taxas de juros dos dois países, fatores apontados como centrais para a meta de distribuição do fundo.
Negociação prevista para setembro na B3
O DIGY11 deve começar a ser negociado no início de setembro na B3, com distribuições mensais de renda aos cotistas. O lançamento amplia a oferta de produtos temáticos de ativos digitais no mercado brasileiro e sinaliza a crescente demanda por veículos que proporcionem fluxo de caixa recorrente, sem exigir estrutura própria de custódia ou gestão de chaves privadas.
Com a combinação de 95% em STRC e 5% em SATA, o novo fundo coloca o Brasil na rota de uma estratégia inovadora em renda fixa sofisticada, amarrada ao desempenho das tesourarias corporativas de Bitcoin. A expectativa é que o produto atraia tanto investidores pessoas físicas quanto institucionais em busca de diversificação internacional e rendimento diferencial.





