EWZ supera Nasdaq-100 e traders migram para opções

As ações brasileiras voltaram ao centro das atenções de Wall Street com um rali que recoloca o principal ETF do país à frente do Nasdaq-100 em 2026. O iShares MSCI Brazil (EWZ) acumula alta de 19% no ano, enquanto o índice de tecnologia avança 15% no período. O movimento ganha contornos relevantes por acontecer depois de um sell-off de meses que afastou o fundo das máximas de seis anos registradas em abril.

O desempenho recente, potencialmente ligado à alta das commodities e à expectativa em torno das eleições gerais de outubro no Brasil, trouxe de volta um fluxo agressivo de traders. O aquecimento maior, no entanto, está no mercado de opções do EWZ, onde o volume negociado em uma única sessão superou em mais de seis vezes a média de 30 dias.

Volume incomum recoloca Brasil entre os ativos mais negociados

Segundo dados da Cboe LiveVol, na quarta-feira (2), o EWZ registrou mais de 420 mil contratos negociados até o meio-dia, nível que posicionou o fundo brasileiro entre os 20 ativos com maior movimentação de derivativos no mercado americano. A relação, compilada pela SpotGamma, inclui também Alphabet e o índice Cboe VIX, o que evidencia a raridade do posto ocupado por um ETF não americano.

A leitura imediata do fluxo mostra clara dominância das calls, com 400 mil opções de compra negociadas contra menos de 30 mil puts. O desequilíbrio sugere otimismo direcional, mas a composição interna das operações revela um quadro mais complexo, com quase tantas calls vendidas quanto compradas.

Estratégia com calls domina fluxo e expõe diferentes visões sobre o rali

O total de prêmios movimentados alcançou US$ 50 milhões, com US$ 48 milhões concentrados em calls e cerca de US$ 26 milhões em operações iniciadas por compradores, conforme estimativas da SpotGamma. A favor dos otimistas, os 20 contratos mais negociados eram todos calls, um padrão raro em qualquer fluxo de opções. Para estrategistas, porém, a leitura não é linear.

A venda expressiva de calls pode ser uma busca por prêmio em momento de volatilidade elevada, e não uma aposta contra o ativo. Esse tipo de posição costuma aparecer em estruturas de spread bullish ou em estratégias direcionalmente neutras. O rali do EWZ, portanto, convive com posicionamentos que expressam otimismo ao mesmo tempo em que tentam lucrar com uma possível acomodação dos preços.

Volatilidade implícita sobe junto com o preço do EWZ

Um elemento central para entender o movimento é o comportamento da volatilidade implícita. Nas últimas três semanas, enquanto o preço subia, a medida avançou de 0,28 para 0,39, de acordo com dados da ThinkOrSwim, levando o preço das opções aos níveis mais altos desde o final de junho.

Na prática, opções mais caras tornam estratégias de venda de prêmio mais atraentes para quem espera redução das oscilações futuras. É nesse contexto que a enxurrada de calls vendidas encontra explicação lógica: parte relevante do mercado pode estar usando a alta do fundo para coletar prêmios, apostando que a turbulência recente dará lugar a um movimento mais calmo. A combinação de rali no preço e elevação da volatilidade implícita, típica de momentos de euforia com ressalvas, ajuda a explicar por que o fluxo de opções do ETF brasileiro se tornou um dos mais observados de Wall Street.