ETFs de Bitcoin protegidos ganham força após saída de capital
ETFs de Bitcoin protegidos ganham força após saída de capital

Mais de US$ 1 bilhão saiu dos ETFs de Bitcoin à vista na semana passada, mas a gestora Calamos aposta que produtos com proteção contra perdas estão captando parte desse fluxo migratório. A tese da empresa é que investidores institucionais e conservadores buscam exposição ao ativo digital sem abrir mão de um piso de proteção em cenários de queda acentuada.

O que são os ETFs de Bitcoin com proteção estruturada

A Calamos oferece ETFs de Bitcoin com estrutura de ‘buffer’, mecanismo que limita a perda máxima do investidor em um período determinado. Em troca, o produto também limita o ganho potencial. A lógica é similar à dos produtos estruturados do mercado tradicional, agora aplicada ao mercado cripto.

Os fundos usam opções sobre ETFs de Bitcoin à vista para construir essa proteção. O investidor não detém Bitcoin diretamente, mas se expõe ao preço do ativo com um colchão de segurança embutido. Dependendo da série do produto, a proteção cobre perdas de 10%, 20% ou até 100% no período de referência.

Captação em alta enquanto ETFs tradicionais sangram

Enquanto os ETFs de Bitcoin convencionais registraram saídas líquidas expressivas, os produtos da Calamos mantiveram captação positiva. A gestora não divulgou o volume exato, mas indicou que a demanda cresceu de forma consistente durante o período de volatilidade mais intensa do mercado cripto.

A série com proteção de 100% — que garante o retorno integral do principal ao fim do período — foi a mais procurada. O teto de ganho nesse caso é mais restrito, mas o apelo para investidores avessos ao risco se mostrou relevante.

Contexto de mercado e pressão sobre ETFs spot

A saída de capital dos ETFs de Bitcoin à vista ocorreu em meio a uma fase de correção do mercado. O Bitcoin chegou a recuar abaixo de US$ 80 mil em momentos de maior pressão vendedora, antes de se recuperar parcialmente. O movimento de saída refletiu tanto a realização de lucros quanto o aumento da aversão ao risco em portfólios diversificados.

Os ETFs da BlackRock (IBIT) e da Fidelity (FBTC) concentraram a maior parte das retiradas semanais, segundo dados públicos de fluxo. O total acumulado de ativos sob gestão nos ETFs spot de Bitcoin nos EUA ainda supera US$ 100 bilhões, mas a velocidade das saídas chamou atenção do mercado.

Calamos aposta na rotação como tendência estrutural

A gestora defende que a rotação para produtos com proteção não é pontual. A tese é que, à medida que o Bitcoin se consolida como classe de ativo em portfólios institucionais, a demanda por produtos com perfil de risco mais calibrado deve crescer de forma permanente.

O argumento se apoia no comportamento de gestores de patrimônio e consultores financeiros, que enfrentam restrições regulatórias ou mandatos conservadores. Para esse segmento, um ETF de Bitcoin sem nenhuma proteção contra perdas é difícil de justificar para o cliente final. Um produto com buffer resolve parte desse problema.

Estrutura de produto e limitações

Os ETFs com buffer da Calamos têm período de referência definido — geralmente 12 meses. Quem entra no produto após o início do período não tem a proteção integral. O nível de proteção disponível varia conforme o momento da entrada, o que exige atenção do investidor.

Além disso, o produto não é isento de custo. A taxa de administração dos ETFs estruturados tende a ser superior à dos ETFs de Bitcoin convencionais, que já cobram entre 0,19% e 0,25% ao ano nas versões mais baratas do mercado americano.

A liquidez no mercado secundário desses produtos ainda é menor do que a dos ETFs spot tradicionais, o que pode gerar spreads mais amplos em momentos de estresse.